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Projeto Florestania e os órfãos do Acre

Ecio Rodrigues & Aurisa Paiva, 12/04/2026

Com uma contaminação que parece não ter antídoto a captura da tese sobre a saída pela floresta, enquanto modelo econômico capaz de promover e sustentar o desenvolvimento no Acre, no Projeto Florestania, ainda em 1999, se mostrou um erro estratégico dos mais terríveis.

Ao ser contaminado pela política eleitoral, o modelo econômico da saída pela floresta passou a ter cara e endereço, como se fizesse parte de um pacote fracassado de um ou outro grupo político.

Mas, não era nada disso!

É bem provável que, atualmente, somente alguns poucos órfãos, como no caso do incansável autor, ainda continuem pensando, em seu cotidiano, nas evidências que demonstram a superioridade da alternativa de desenvolvimento baseada na biodiversidade florestal quando comparada á expansão do desmatamento para consolidação da pecuária extensiva no Acre.

Ainda na segunda metade da década de 1980, muitos técnicos experientes que atuavam na Embrapa, Funtac e em um variado grupo de organizações não governamentais, alertavam sobre os limites econômicos da pecuária extensiva para elevar e manter o PIB do Acre.

Naquele momento, restou claro para os envolvidos com as análises econômicas e os impactos ambientais e sociais, que deveria existir alternativa à pecuária extensiva, sempre intensiva em desmatamento para ganho de escala devido, em especial, a uma estagnada produtividade média de meio boi por hectare.

Com forte dependência de uma política pública contínua e que resistisse às mudanças de governo, algo sempre muito difícil, os especialistas acreditavam ser possível colocar em prática no Acre o que chamavam de saída pela floresta.

Uma frase ou código para resumir um novo modelo de desenvolvimento que trouxesse riqueza sem desmatamento e, o melhor, garantindo a conservação da biodiversidade florestal, esse sim um recurso regional único e de competitividade garantida, com perdão do trocadilho, pela própria natureza.

Resumindo, um monopólio regional que, por graças divina, apresenta variações na biodiversidade e hidrografia estaduais que permitem, inclusive, diferenciação produtiva para o Pará, Amazonas, Rondônia e Acre, por exemplo.

E mais. Um modelo de desenvolvimento econômico e de produção rural bem diferente do atual, que tem na proteína animal, de bovinos, claro, sua principal referencia e ocupação hegemônica nas áreas com logística considerada privilegiada, na mata ciliar dos grandes rios e com acesso pelas principais rodovias pavimentadas.

Ocorre que uma vez que o gado pode ser criado em qualquer lugar desse imenso e maravilhoso país, em todo lugar haverá condições iguais ou, o que acontece na maioria das vezes devido às condições climáticas amazônicas, melhores para o boi pastar solto no pasto que aqui.

Na pecuária extensiva não existe empecilho técnico agronômico, sendo a produtividade entre as localidades um indicador pouco considerado na aprovação dos projetos do FNO geridos pelo Basa, devido à elevada viabilidade econômica de curto prazo e em decorrência do baixo valor marginal da terra coberta por florestas, da baixíssima geração de emprego e pouco investimento.

Mas, as condições propícias à ampliação da pecuária extensiva possui prazo para acabar, enquanto que, por outro lado, a saída pela floresta, ao se concentrar na oferta de produtos e serviços com monopólios amazônicos, e alguns ofertados somente pelo Acre mesmo, possui potencial comprovado pelos cientistas para um futuro ainda por ser totalmente revelado.

Ao se beneficiar da limitada, contudo expressiva, produção acadêmica, quase que na totalidade publicada antes da virada do século, sobre a alternativa para ocupação produtiva representada na saída pela floresta, o Projeto Florestania trouxe a política eleitoral para dentro do desenvolvimento econômico do Acre.

Contaminação que urge terminar com urgência, tanto por afastar muitos técnicos naquela época quanto por hoje atrair somente os órfãos do Florestania.

Modelo de desenvolvimento “Saída pela Floresta” foi contaminado pelo Projeto Florestania no Acre

26/04/2026

Sem expoentes na academia, nas ciências e nas artes, sem líderes na política, o Projeto Florestania agora impede que a imprescindível discussão sobre a existência de alternativa econômica à pecuária extensiva seja retomada nos moldes dos profundos debates ocorridos desde a segunda metade da década de 1980.  

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Regeneração Natural Assistida reduz em mais de 70% os custos para o reflorestamento conservacionista

19/04/2026

Os engenheiros florestais, profissionais que estão bem mais familiarizados com a regeneração natural, posto que possuem domínio da tecnologia de manejo florestal de florestas nativas, não duvidam do potencial da Regeneração Natural Assistida para redução de custos.

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Projeto Florestania não deixa seguidores no Acre

29/03/2026

Talvez cinco especialistas, órfãos do Florestania, ainda continuem pensando em seu cotidiano nas evidencias que demonstram a superioridade do modelo de desenvolvimento baseado na biodiversidade florestal quando comparada á expansão da pecuária extensiva no Acre.

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Projeto Florestania não deixa referencia teórica no Acre

22/03/2026

Não existem mais de cinco especialistas, órfãos do Florestania, produzindo evidencias acerca da superioridade do modelo econômico de desenvolvimento baseado na biodiversidade florestal quando comparada á expansão e consolidação da pecuária extensiva no Acre, a despeito de todos se ressentirem da reduzida produção teórica.

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Oscar 2026 continuará premiando o politicamente correto

15/03/2026

Talvez, pela tendência de queda de audiência em um ambiente de transformações competitivas profundas, sobretudo com o surgimento e consolidação  de Netflix, Prime, HBO e assim por diante, é que o apelo ao politicamente correto ganhou espaço que parece não ter mais volta.

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Fim do Florestania no Acre: Aliciamento eleitoral não evitou derrocada

08/03/2026

Não eram poucos técnicos, estavam bem qualificados e dariam conta da transformação produtiva do Acre em direção à produção explorada na biodiversidade florestal. Mas algo não aconteceu!

Faltaram algumas coisas, todavia, a principal lacuna foi a ausência de determinação política.

Os líderes políticos, eleitos governador e prefeito, bem cedo, deixaram a equipe técnica e as instituições à deriva, a partir do momento que entenderam que a pecuária extensiva estaria excluída da prescrição técnica e científica predominante na estratégia da saída pela floresta e, logo depois, na execução do Projeto Florestania.

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Fim do Florestania no Acre: Com ZEE a Governabilidade foi capturada pelo agronegócio da pecuária extensiva     

01/03/2026

Em síntese, mesmo que em um primeiro momento a Capacidade de Governo para concretizar o Projeto Florestania deu ênfase na valorização da biodiversidade florestal como principal ativo econômico acreano, o ZEE concretizou o contrário.

Aquela suposta determinação inicial por um progresso a ser alcançado por meio de uma economia de baixo carbono, ancorada na biodiversidade florestal e com desmatamento zero, que havia sido estimulada e impingida pelos contratos de financiamento com a tríade BNDES, Banco Mundial e Banco Interamericano, sucumbiu a partir da aprovação do ZEE.

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Fim do Florestania no Acre: Bancos apoiaram a “saída pela floresta”

22/02/2026

Durante o sucesso eleitoral, que durou até 2018, impossível deixar de reconhecer o empenho do Banco Mundial, BNDES e Banco Interamericano, que emprestaram parte e doaram outra parcela expressiva do dinheiro empregado na execução da Política Estadual de Florestas e das diretrizes do Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre.

Em nenhum momento nesse período e mesmo depois com as sucessivas vitórias eleitorais do Projeto Agronegócio os três bancos se arriscaram a associar sua marca com o desmatamento ilegal e o legalizado, ao financiar a criação de boi solto no pasto.

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Fim do Florestania no Acre: Técnicos, ONGs e Capacidade de Governo     

15/02/2026

Antes de se chamar Florestania e ser alçado à condição de Projeto de Governo em 1999, um conjunto de seis organizações não governamentais, ou do terceiro setor, ou ainda organizações da sociedade civil, para usar uma denominação menos preconceituosa, discutiram e detalharam vários pontos do que chamavam de saída pela floresta.

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Fim do Florestania no Acre: Gestores e técnicos despreparados     

08/02/2026

Lançando mão do exemplo mais evidente e de simples constatação, tanto a política florestal iniciada em 2001 quanto o Sistema Estadual de Áreas Naturais Protegidas, considerados pilares para o Projeto Florestania, requeriam gestores com perfil e competência para conseguir ampliar a pequena participação da biodiversidade florestal na riqueza ou PIB acreano.

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Fim do Florestania no Acre: Equipe técnica sem Capacidade de Governo

01/02/2026

Todo profissional envolvido com setor produtivo entende as dificuldades para selecionar, treinar e fazer funcionar uma equipe de profissionais com especializações diversas em uma indústria, num supermercado, numa escola e até mesmo numa padaria.

Agora imaginem conseguir reunir vários peritos, alguns estreantes no serviço público com o propósito de, no curto prazo, consolidar uma Capacidade de Governo para atender cobranças imediatas por educação e saúde, enquanto colocava em pratica um rol de demandas novas, inventadas para viabilizar o Projeto Florestania.

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Fim do Florestania no Acre: Projeto de Governo não convenceu

25/01/2026

Logo nos primeiros quatro de uma hegemonia que durou 20 anos, poucos insatisfeitos com a generalização do Florestania foram convencidos de que o detalhamento da estratégia de desenvolvimento viria com o Zoneamento Econômico e Ecológico, ZEE.

O que também, como se verá, não aconteceu.

Muito pelo contrário. De fato, com a aprovação da Lei 1.904 em 2007, que instituiu o ZEE no Acre, o agronegócio da pecuária extensiva recebeu significativa e bem localizada área de terras cobertas com florestas, em especial ao longo das rodovias BR 364 e 317, para sua ampliação por meio do desmatamento, agora legalizado pelo ZEE.

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Fim do Florestania no Acre: Projeto priorizou acreanismo e não PIB

18/01/2026

Considerado ousado e inovador o Projeto de Governo Florestania, concebido por organizações da sociedade civil na segunda metade da década de 1980 e, em tese, iniciado de forma efetiva no Acre em 1999, deveria ter estabelecido as bases para um desenvolvimento econômico duradouro, sustentado na biodiversidade florestal e que mostrasse os caminhos para o futuro, mas não foi o que aconteceu.

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Fim do Florestania no Acre: Projeto de Governo sem objetivo claro

11/01/2026

Sendo a primeira eleição municipal após a derrocada em 2018 do grupo político que concebeu o Projeto de Governo Florestania, o retorno da pecuária extensiva enquanto identidade produtiva estadual foi uma decisão eleitoral, de certa maneira, bastante óbvia.

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Fim do Florestania no Acre: Razões para o fracasso

04/01/2026

Desde o sucesso eleitoral em 1999, que o Projeto Florestania, um neologismo criado para sintetizar um conceito abstrato de cidadania associado ao crescimento econômico ancorado na biodiversidade florestal, venceu todas sucessivas eleições até chegar ao fracasso nos pleitos de 2018, 2020, 2022 e agora em 2024 de forma, no mínimo, constrangedora.

Encontrar as razões para o sucesso eleitoral por vinte anos e os seguidos fracassos pelos últimos oito do Projeto Florestania, não é tarefa fácil.

Mas uma coisa é certa. Os resultados eleitorais mostram que existe forte rejeição aos líderes políticos, mesmo quando tentam se afastar dos ideais do Projeto Florestania, com o agravante de que a defesa, por todos os candidatos a cargos majoritários, do Projeto Agronegócio da pecuária extensiva desnudou a ausência de rumo para o desenvolvimento do Acre dos grupos políticos de direita, de centro e de esquerda.

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