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Projeto Florestania não deixa referencia teórica no Acre

Ecio Rodrigues & Aurisa Paiva, 22/03/2026

Tal como quase tudo do que acontece em geral na Amazônia e em particular no Acre, o Florestania, um Projeto de Governo que orientou a gestão pública no Acre durante as duas primeiras décadas desse século, caiu no esquecimento sem deixar referencia teórica nem seguidores.

Todavia, como sempre também há esperança.

Talvez tenha sobrado alguns poucos órfãos, como no caso do incansável autor, que ainda se arriscam na defesa da saída pela floresta como única, é única mesmo, alternativa para o desenvolvimento econômico do Acre.

Entretanto, é bem provável que não haja mais de cinco especialistas, órfãos do Florestania, que ainda produzem evidencias acerca da superioridade do modelo econômico de desenvolvimento baseado na biodiversidade florestal quando comparada á expansão e consolidação da pecuária extensiva no Acre, a despeito de todos se ressentirem da reduzida produção teórica.

Ocorre que a grande maioria das pesquisas, que incluem dissertações de mestrado e teses de doutorado, confrontando os dois modelos de ocupação produtiva (biodiversidade florestal X pecuária extensiva) foi publicada em um período bem específico, no final do século passado, e trataram de temas igualmente específicos, a criação de unidades de conservação, por exemplo.

Em uma análise um tanto rápida não é difícil perceber que mais de 80% das publicações com avaliações comparativas sobre os impactos econômicos e ambientais entre os dois modelos de desenvolvimento datam do período que vai de 1985 até o final da década seguinte, com alguns raros e excepcionais estudos publicados na virada do século.

O que importa é que, novamente em sua imensa maioria, os estudos e relatórios técnicos foram realizados com incontestável apoio do Ministério do Meio Ambiente, que, sobretudo durante os dois governos FHC, não poupou esforço e vontade para aportar recursos financeiros de maneira a demonstrar a cabal diferença na dimensão dos estragos causados nos ecossistemas, em especial devido ao desmatamento das florestas e alteração da vazão dos rios, pela pecuária extensiva e, por outro lado, o potencial conservacionista da saída pela floresta.

Foi nesse período que várias instituições estatais, incluindo a reconhecida Embrapa, em conjunto com expressivo número de organizações não governamentais, conceberam procedimentos técnicos para o que se denominou de manejo florestal de uso múltiplo.

Tratava-se em rápida síntese, da possibilidade de extrair da biodiversidade florestal uma variada cesta de produtos, madeira nobre das árvores inclusive, que adicionados à prestação de serviços ecológicos, relacionados em especial a oferta de água e ao mercado de carbono, forneceriam renda total mais elevada e de forma permanente que o limitado ganho por hectare obtido com a perigosa prática da pecuária extensiva.

Não à toa, outro importante legado do Acre para a discussão sobre o modelo de desenvolvimento amazônico mais adequado a sua realidade ecossistêmica, ou, no dizer dos economistas, de melhor vantagem comparativa, também surgiu e ganhou força nesse mesmo período.

O conceito de Reserva Extrativista foi detalhado em diversas publicações possuindo um acervo notável de produção teórica (acadêmica, de pesquisas cientificas e relatórios técnicos) que, de maneira direta ou indireta, foi capturado pelo Projeto Florestania como se uma coisa tivesse ligação direta com a outra.

Por óbvio que não!

Uma coisa é uma demanda vinda da sociedade, ser transformada em política pública ao prover regularização fundiária para as colocações de muitos produtores extrativistas, outra coisa, bem diferente, seria transformar a saída pela floresta, que tinha na Reserva Extrativista sua principal referência teórica, em Projeto de Governo com perspectiva de se tornar de Estado.

Um tema que, infelizmente, carece de produção teórica e, ao que parece e tudo indica, perdeu seu momento histórico, mas que, em contrapartida, jamais deverá ser esquecido pelos acreanos, dada sua importância nem tanto pelo passado, mas para o futuro do Acre.

Não pode por isso mesmo, ser deixado aos cuidados dos não mais que cinco órfãos do Florestania no Acre.

Projeto Florestania e os órfãos do Acre

12/04/2026

Contaminado pela política eleitoral, o modelo econômico da saída pela floresta passou a ter cara e endereço, como se fizesse parte do fracassado Projeto Florestania que tem a assinatura de um ou outro grupo político.

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Projeto Florestania não deixa seguidores no Acre

29/03/2026

Talvez cinco especialistas, órfãos do Florestania, ainda continuem pensando em seu cotidiano nas evidencias que demonstram a superioridade do modelo de desenvolvimento baseado na biodiversidade florestal quando comparada á expansão da pecuária extensiva no Acre.

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Oscar 2026 continuará premiando o politicamente correto

15/03/2026

Talvez, pela tendência de queda de audiência em um ambiente de transformações competitivas profundas, sobretudo com o surgimento e consolidação  de Netflix, Prime, HBO e assim por diante, é que o apelo ao politicamente correto ganhou espaço que parece não ter mais volta.

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Fim do Florestania no Acre: Aliciamento eleitoral não evitou derrocada

08/03/2026

Não eram poucos técnicos, estavam bem qualificados e dariam conta da transformação produtiva do Acre em direção à produção explorada na biodiversidade florestal. Mas algo não aconteceu!

Faltaram algumas coisas, todavia, a principal lacuna foi a ausência de determinação política.

Os líderes políticos, eleitos governador e prefeito, bem cedo, deixaram a equipe técnica e as instituições à deriva, a partir do momento que entenderam que a pecuária extensiva estaria excluída da prescrição técnica e científica predominante na estratégia da saída pela floresta e, logo depois, na execução do Projeto Florestania.

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Fim do Florestania no Acre: Com ZEE a Governabilidade foi capturada pelo agronegócio da pecuária extensiva     

01/03/2026

Em síntese, mesmo que em um primeiro momento a Capacidade de Governo para concretizar o Projeto Florestania deu ênfase na valorização da biodiversidade florestal como principal ativo econômico acreano, o ZEE concretizou o contrário.

Aquela suposta determinação inicial por um progresso a ser alcançado por meio de uma economia de baixo carbono, ancorada na biodiversidade florestal e com desmatamento zero, que havia sido estimulada e impingida pelos contratos de financiamento com a tríade BNDES, Banco Mundial e Banco Interamericano, sucumbiu a partir da aprovação do ZEE.

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Fim do Florestania no Acre: Bancos apoiaram a “saída pela floresta”

22/02/2026

Durante o sucesso eleitoral, que durou até 2018, impossível deixar de reconhecer o empenho do Banco Mundial, BNDES e Banco Interamericano, que emprestaram parte e doaram outra parcela expressiva do dinheiro empregado na execução da Política Estadual de Florestas e das diretrizes do Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre.

Em nenhum momento nesse período e mesmo depois com as sucessivas vitórias eleitorais do Projeto Agronegócio os três bancos se arriscaram a associar sua marca com o desmatamento ilegal e o legalizado, ao financiar a criação de boi solto no pasto.

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Fim do Florestania no Acre: Técnicos, ONGs e Capacidade de Governo     

15/02/2026

Antes de se chamar Florestania e ser alçado à condição de Projeto de Governo em 1999, um conjunto de seis organizações não governamentais, ou do terceiro setor, ou ainda organizações da sociedade civil, para usar uma denominação menos preconceituosa, discutiram e detalharam vários pontos do que chamavam de saída pela floresta.

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Fim do Florestania no Acre: Gestores e técnicos despreparados     

08/02/2026

Lançando mão do exemplo mais evidente e de simples constatação, tanto a política florestal iniciada em 2001 quanto o Sistema Estadual de Áreas Naturais Protegidas, considerados pilares para o Projeto Florestania, requeriam gestores com perfil e competência para conseguir ampliar a pequena participação da biodiversidade florestal na riqueza ou PIB acreano.

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Fim do Florestania no Acre: Equipe técnica sem Capacidade de Governo

01/02/2026

Todo profissional envolvido com setor produtivo entende as dificuldades para selecionar, treinar e fazer funcionar uma equipe de profissionais com especializações diversas em uma indústria, num supermercado, numa escola e até mesmo numa padaria.

Agora imaginem conseguir reunir vários peritos, alguns estreantes no serviço público com o propósito de, no curto prazo, consolidar uma Capacidade de Governo para atender cobranças imediatas por educação e saúde, enquanto colocava em pratica um rol de demandas novas, inventadas para viabilizar o Projeto Florestania.

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Fim do Florestania no Acre: Projeto de Governo não convenceu

25/01/2026

Logo nos primeiros quatro de uma hegemonia que durou 20 anos, poucos insatisfeitos com a generalização do Florestania foram convencidos de que o detalhamento da estratégia de desenvolvimento viria com o Zoneamento Econômico e Ecológico, ZEE.

O que também, como se verá, não aconteceu.

Muito pelo contrário. De fato, com a aprovação da Lei 1.904 em 2007, que instituiu o ZEE no Acre, o agronegócio da pecuária extensiva recebeu significativa e bem localizada área de terras cobertas com florestas, em especial ao longo das rodovias BR 364 e 317, para sua ampliação por meio do desmatamento, agora legalizado pelo ZEE.

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Fim do Florestania no Acre: Projeto priorizou acreanismo e não PIB

18/01/2026

Considerado ousado e inovador o Projeto de Governo Florestania, concebido por organizações da sociedade civil na segunda metade da década de 1980 e, em tese, iniciado de forma efetiva no Acre em 1999, deveria ter estabelecido as bases para um desenvolvimento econômico duradouro, sustentado na biodiversidade florestal e que mostrasse os caminhos para o futuro, mas não foi o que aconteceu.

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Fim do Florestania no Acre: Projeto de Governo sem objetivo claro

11/01/2026

Sendo a primeira eleição municipal após a derrocada em 2018 do grupo político que concebeu o Projeto de Governo Florestania, o retorno da pecuária extensiva enquanto identidade produtiva estadual foi uma decisão eleitoral, de certa maneira, bastante óbvia.

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Fim do Florestania no Acre: Razões para o fracasso

04/01/2026

Desde o sucesso eleitoral em 1999, que o Projeto Florestania, um neologismo criado para sintetizar um conceito abstrato de cidadania associado ao crescimento econômico ancorado na biodiversidade florestal, venceu todas sucessivas eleições até chegar ao fracasso nos pleitos de 2018, 2020, 2022 e agora em 2024 de forma, no mínimo, constrangedora.

Encontrar as razões para o sucesso eleitoral por vinte anos e os seguidos fracassos pelos últimos oito do Projeto Florestania, não é tarefa fácil.

Mas uma coisa é certa. Os resultados eleitorais mostram que existe forte rejeição aos líderes políticos, mesmo quando tentam se afastar dos ideais do Projeto Florestania, com o agravante de que a defesa, por todos os candidatos a cargos majoritários, do Projeto Agronegócio da pecuária extensiva desnudou a ausência de rumo para o desenvolvimento do Acre dos grupos políticos de direita, de centro e de esquerda.

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