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Projeto Florestania não deixa seguidores no Acre

Ecio Rodrigues & Aurisa Paiva, 29/03/2026

A constrangedora derrocada eleitoral, em 2018, do grupo político que se beneficiou dos ideais do Projeto Florestania, foi tamanha que de lá prá cá ninguém se aventurou a questionar o perigoso modelo de economia representado pela pecuária extensiva.

Entretanto, deixar os ideais do Projeto Florestania esquecido para sempre pode ser um equívoco imperdoável para entender o passado e se preparar para o futuro dos ciclos econômicos no Acre. Isto é, o debate é inevitável.

É bem provável que tenha sobrado alguns poucos órfãos, como no caso desse incansável autor, que ainda se arriscam na defesa da saída pela floresta como única, é única mesmo, alternativa para o desenvolvimento econômico do Acre.

No todo não existe mais de cinco especialistas, órfãos do Florestania, que ainda continuam pensando em seu cotidiano nas evidencias que demonstram a superioridade do modelo de desenvolvimento baseado na biodiversidade florestal quando comparada á expansão e consolidação da pecuária extensiva no Acre.

Na verdade, a constatação sobre os limites da pecuária extensiva e do potencial da biodiversidade florestal foi ressaltada com bastante produção técnica e científica publicada nas duas décadas finais do século passado, bem antes de 1999, ano em que o Projeto Florestania foi alçado à condição de Projeto de Governo.

Reunidas na tese da saída pela floresta essas publicações se voltaram à compreensão dos ciclos econômicos no Acre, em especial os ciclos florestais das drogas do sertão, da borracha e da madeira, para conceber um modelo de desenvolvimento conservacionista e alternativo ao desmatamento necessário à expansão da pecuária extensiva.

Naquela época, bem diferente dos não mais que cinco órfãos de agora, um contingente expressivo de pesquisadores e técnicos de excelente formação atuavam na Funtac, Embrapa e num variado leque de organizações do terceiro setor detalhando com rigor a vocação produtiva natural representada pela saída pela floresta diante da realidade agronômica e florestal do Acre.

Embora pareça distante ou perdido no tempo, somente para fornecer uma ideia mais clara daquele momento histórico e sua importância para o desenvolvimento estadual, foi ainda em 1990 que foram criadas no Acre as duas primeiras unidades de conservação da Amazônia chamadas de Reserva Extrativista.

Não por acaso a denominação Reserva Extrativista possui forte razão técnica o que permitiria, a partir da aplicação de alguns indicadores precisos, enquadrar ou caracterizar uma determinada área coberta por floresta nesse tipo especial de regularização fundiária.

Tendo por primeira condição a existência de uma extensa área ainda coberta por floresta nativa, seria possível manter a biodiversidade florestal como reserva estratégica para o futuro.

Ao tempo em que uma vez comprovada a primeira condição de reserva o modo extrativista de produção, depois de reconhecido sucesso na geração de riqueza durante os ciclos econômicos da extração de borracha e da coleta de castanha-da-Amazônia, possibilitaria a obtenção de renda conservando a reserva estratégica de biodiversidade florestal.

Um conceito complexo e que avançou graças a publicação de muitas pesquisas oriundas do esforço de um considerável contingente de especialistas e, por suposto, grande mobilização social em especial após o sacrifício de uma liderança sindical cultuada mundo afora, Chico Mendes.

A despeito de incorporar o arcabouço teórico produzido por uma equipe enorme de profissionais com bastante domínio sobre o conceito da saída pela floresta, o Projeto Florestania deixou de formar seus próprios pesquisadores e estudiosos com especialização em política pública de modo a se viabilizar enquanto Projeto de Governo e quiçá de Estado.

Afinal, não seria com não mais que cinco órfãos que o Florestania motivaria a academia, cientistas e técnicos em sua formulação para o futuro.

Modelo de desenvolvimento “Saída pela Floresta” foi contaminado pelo Projeto Florestania no Acre

26/04/2026

Sem expoentes na academia, nas ciências e nas artes, sem líderes na política, o Projeto Florestania agora impede que a imprescindível discussão sobre a existência de alternativa econômica à pecuária extensiva seja retomada nos moldes dos profundos debates ocorridos desde a segunda metade da década de 1980.  

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Regeneração Natural Assistida reduz em mais de 70% os custos para o reflorestamento conservacionista

19/04/2026

Os engenheiros florestais, profissionais que estão bem mais familiarizados com a regeneração natural, posto que possuem domínio da tecnologia de manejo florestal de florestas nativas, não duvidam do potencial da Regeneração Natural Assistida para redução de custos.

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Projeto Florestania e os órfãos do Acre

12/04/2026

Contaminado pela política eleitoral, o modelo econômico da saída pela floresta passou a ter cara e endereço, como se fizesse parte do fracassado Projeto Florestania que tem a assinatura de um ou outro grupo político.

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Projeto Florestania não deixa referencia teórica no Acre

22/03/2026

Não existem mais de cinco especialistas, órfãos do Florestania, produzindo evidencias acerca da superioridade do modelo econômico de desenvolvimento baseado na biodiversidade florestal quando comparada á expansão e consolidação da pecuária extensiva no Acre, a despeito de todos se ressentirem da reduzida produção teórica.

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Oscar 2026 continuará premiando o politicamente correto

15/03/2026

Talvez, pela tendência de queda de audiência em um ambiente de transformações competitivas profundas, sobretudo com o surgimento e consolidação  de Netflix, Prime, HBO e assim por diante, é que o apelo ao politicamente correto ganhou espaço que parece não ter mais volta.

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Fim do Florestania no Acre: Aliciamento eleitoral não evitou derrocada

08/03/2026

Não eram poucos técnicos, estavam bem qualificados e dariam conta da transformação produtiva do Acre em direção à produção explorada na biodiversidade florestal. Mas algo não aconteceu!

Faltaram algumas coisas, todavia, a principal lacuna foi a ausência de determinação política.

Os líderes políticos, eleitos governador e prefeito, bem cedo, deixaram a equipe técnica e as instituições à deriva, a partir do momento que entenderam que a pecuária extensiva estaria excluída da prescrição técnica e científica predominante na estratégia da saída pela floresta e, logo depois, na execução do Projeto Florestania.

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Fim do Florestania no Acre: Com ZEE a Governabilidade foi capturada pelo agronegócio da pecuária extensiva     

01/03/2026

Em síntese, mesmo que em um primeiro momento a Capacidade de Governo para concretizar o Projeto Florestania deu ênfase na valorização da biodiversidade florestal como principal ativo econômico acreano, o ZEE concretizou o contrário.

Aquela suposta determinação inicial por um progresso a ser alcançado por meio de uma economia de baixo carbono, ancorada na biodiversidade florestal e com desmatamento zero, que havia sido estimulada e impingida pelos contratos de financiamento com a tríade BNDES, Banco Mundial e Banco Interamericano, sucumbiu a partir da aprovação do ZEE.

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Fim do Florestania no Acre: Bancos apoiaram a “saída pela floresta”

22/02/2026

Durante o sucesso eleitoral, que durou até 2018, impossível deixar de reconhecer o empenho do Banco Mundial, BNDES e Banco Interamericano, que emprestaram parte e doaram outra parcela expressiva do dinheiro empregado na execução da Política Estadual de Florestas e das diretrizes do Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre.

Em nenhum momento nesse período e mesmo depois com as sucessivas vitórias eleitorais do Projeto Agronegócio os três bancos se arriscaram a associar sua marca com o desmatamento ilegal e o legalizado, ao financiar a criação de boi solto no pasto.

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Fim do Florestania no Acre: Técnicos, ONGs e Capacidade de Governo     

15/02/2026

Antes de se chamar Florestania e ser alçado à condição de Projeto de Governo em 1999, um conjunto de seis organizações não governamentais, ou do terceiro setor, ou ainda organizações da sociedade civil, para usar uma denominação menos preconceituosa, discutiram e detalharam vários pontos do que chamavam de saída pela floresta.

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Fim do Florestania no Acre: Gestores e técnicos despreparados     

08/02/2026

Lançando mão do exemplo mais evidente e de simples constatação, tanto a política florestal iniciada em 2001 quanto o Sistema Estadual de Áreas Naturais Protegidas, considerados pilares para o Projeto Florestania, requeriam gestores com perfil e competência para conseguir ampliar a pequena participação da biodiversidade florestal na riqueza ou PIB acreano.

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Fim do Florestania no Acre: Equipe técnica sem Capacidade de Governo

01/02/2026

Todo profissional envolvido com setor produtivo entende as dificuldades para selecionar, treinar e fazer funcionar uma equipe de profissionais com especializações diversas em uma indústria, num supermercado, numa escola e até mesmo numa padaria.

Agora imaginem conseguir reunir vários peritos, alguns estreantes no serviço público com o propósito de, no curto prazo, consolidar uma Capacidade de Governo para atender cobranças imediatas por educação e saúde, enquanto colocava em pratica um rol de demandas novas, inventadas para viabilizar o Projeto Florestania.

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Fim do Florestania no Acre: Projeto de Governo não convenceu

25/01/2026

Logo nos primeiros quatro de uma hegemonia que durou 20 anos, poucos insatisfeitos com a generalização do Florestania foram convencidos de que o detalhamento da estratégia de desenvolvimento viria com o Zoneamento Econômico e Ecológico, ZEE.

O que também, como se verá, não aconteceu.

Muito pelo contrário. De fato, com a aprovação da Lei 1.904 em 2007, que instituiu o ZEE no Acre, o agronegócio da pecuária extensiva recebeu significativa e bem localizada área de terras cobertas com florestas, em especial ao longo das rodovias BR 364 e 317, para sua ampliação por meio do desmatamento, agora legalizado pelo ZEE.

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Fim do Florestania no Acre: Projeto priorizou acreanismo e não PIB

18/01/2026

Considerado ousado e inovador o Projeto de Governo Florestania, concebido por organizações da sociedade civil na segunda metade da década de 1980 e, em tese, iniciado de forma efetiva no Acre em 1999, deveria ter estabelecido as bases para um desenvolvimento econômico duradouro, sustentado na biodiversidade florestal e que mostrasse os caminhos para o futuro, mas não foi o que aconteceu.

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Fim do Florestania no Acre: Projeto de Governo sem objetivo claro

11/01/2026

Sendo a primeira eleição municipal após a derrocada em 2018 do grupo político que concebeu o Projeto de Governo Florestania, o retorno da pecuária extensiva enquanto identidade produtiva estadual foi uma decisão eleitoral, de certa maneira, bastante óbvia.

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Fim do Florestania no Acre: Razões para o fracasso

04/01/2026

Desde o sucesso eleitoral em 1999, que o Projeto Florestania, um neologismo criado para sintetizar um conceito abstrato de cidadania associado ao crescimento econômico ancorado na biodiversidade florestal, venceu todas sucessivas eleições até chegar ao fracasso nos pleitos de 2018, 2020, 2022 e agora em 2024 de forma, no mínimo, constrangedora.

Encontrar as razões para o sucesso eleitoral por vinte anos e os seguidos fracassos pelos últimos oito do Projeto Florestania, não é tarefa fácil.

Mas uma coisa é certa. Os resultados eleitorais mostram que existe forte rejeição aos líderes políticos, mesmo quando tentam se afastar dos ideais do Projeto Florestania, com o agravante de que a defesa, por todos os candidatos a cargos majoritários, do Projeto Agronegócio da pecuária extensiva desnudou a ausência de rumo para o desenvolvimento do Acre dos grupos políticos de direita, de centro e de esquerda.

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