Nunca é demais repetir a lógica de um raciocínio, em tese, simples. Vamos lá.
O desmatamento legalizado realizado pelo produtor, quase sempre com incentivo do Basa e do crédito rural, e em mais de 90% dos casos destinado à pecuária extensiva, está na raiz da crise climática no Acre.
Associado ou não à prática agrícola das queimadas, o desmatamento expõe o solo, causando erosão e o consequente assoreamento dos rios.
Quando esse desmatamento é realizado na mata ciliar dos rios, o que acontece de maneira bem mais frequente do que se imagina, o rio ou igarapé fica exposto, isto é, sem proteção para barrar o carreamento de terra e o desbarrancamento.
É isso, somente isso, não o El Niño ou outro evento climático qualquer, que tornou o Rio Acre a vala deprimente, sem vazão e com a água quase apartando e voltando rio acima, em setembro de 2024.
Existe saída? Claro que sim.
A primeira é barrar, de forma imediata, novo desmatamento em especial na região da Transacreana, rodovia estadual AC90, onde se encontra, por exemplo, a nascente de um dos mais importantes e preocupantes tributários do Rio Acre, o Igarapé São Francisco.
Reduzir o incentivo estatal, com crédito subsidiado, para a criação extensiva de gado se configura em medida rápida, de baixo custo e com resultados surpreendentes no curto prazo, já em 2025.
Mas nenhum candidato a prefeito tem coragem de propor essa agenda.
Algo inaceitável e ao mesmo tempo compreensível uma vez que o custo eleitoral de uma plataforma que manifeste deixar de apoiar a pecuária extensiva é elevado e pode encerar carreiras.
Será? Pode não ser nada disso.
Afinal, a premissa de um apoio eleitoral irrestrito, em especial junto a população urbana de Rio Branco, à pecuária extensiva vem sendo questionada após os malefícios das queimadas e a sequencia perigosa de seca e alagação todos os anos.
Embora considerado por muitos, mesmo sem qualquer estatística que comprove o suporte eleitoral de uma pecuária que requer cada vez mais broca de desmatamento e queimadas, pois o gado é criado solto no pasto em quase dois hectares por cabeça, vem sendo confrontado a todo tempo por uma sensatez econômica inquestionável.
Ocorre que o custo da expansão da pecuária extensiva superou os benefícios econômicos já há algum tempo, mas especialmente após a virada do século.
Nesses 24 anos do novo século, o mundo demonstrou, em vários momentos, que acabou a paciência para aceitar a máxima de uma subsistência que justifica desmatar.
Lá fora isso acabou faz tempo, por aqui vai acabar em algum momento. Pense agora no futuro e vote pelo Rio Acre.