Por muito pouco o desmatamento na Amazônia computado pelo infalível Instituto Nacional de Pesquisa Espacial, Inpe, em 5.796 km² para o período entre primeiro de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025 não estabelece uma nova taxa mínima.
Desde 2012, único ano em que se desmatou uma área inferior a 5.000 km2 na Amazônia, que o governo federal tenta, sem sucesso, manter a quantidade de floresta destruída anualmente dentro dessa margem.
Dessa vez chegou perto e o resultado divulgado pelo Inpe às vésperas da COP30 em Belém foi recebido com festa e, claro, colocou o Brasil no holofote internacional ao demonstrar que é possível, com fiscalização, controlar e até chegar ao desmatamento zero na Amazônia.
Contudo e infelizmente, a exploração de petróleo no mundo e sobretudo na parte brasileira da margem equatorial, novamente infelizmente, com forte apoio dos diplomatas e políticos colombianos ganhou maior espaço nas discussões e na tentativa de se propor uma agenda de redução do uso de combustível fóssil em todo planeta.
Um desperdício de tempo, posto que a redução do uso de petróleo não deverá ser obrigatório por uma decisão de conferências da ONU, uma vez está na ponta do consumo a chave para reduzir a produção.
Há um debate, interminável diga-se, acerca das prioridades em relação aos impactos do aquecimento do planeta e os defensores da adaptação demonstraram bem mais argumentos que aqueles que insistem na prioridade da transição.
Para quem, como esse articulista, tem dificuldade de diferenciar as rotas de superação da crise ecológica, por adaptação entende-se o investimento de muito dinheiro para que os países mais afetados pelo aumento da temperatura e, em especial, pelo aumento do nível das marés, como as ilhas do oceano pacífico, consigam se adaptar a um mundo mais quente e alcançar melhor nível de desenvolvimento humano.
Pelo lado da transição estão os apocalípticos que acreditam no fim do planeta em algum momento no médio prazo se o sistema econômico mundial não for alterado, esquecendo-se que, como afirmou o filósofo, que é mais fácil o planeta acabar que o capitalismo ter fim.
A cada hidrelétrica construída se reduz a dependência do petróleo para gerar energia elétrica, da mesma forma que a cada carro elétrico colocado no mercado menos gasolina será comprada e assim por diante.
Será dessa maneira que o preço do petróleo cairá e a produção seguirá o mesmo caminho, contudo, sem tirar ou secar o dinheiro do petróleo que abastece o dreno de recursos financeiros destinados para a adaptação dos países mais afetados pelo calor que está vindo.
Não por acaso o desmatamento zero da Amazônia é ponto central para reduzir o consumo de petróleo uma vez que a substituição das florestas por cultivos e em bem maior proporção pelo boi solto no pasto promove o mercado do óleo combustível.
Foi um sucesso a redução do desmatamento na Amazônia em 2025 e pelo quarto ano consecutivo, o que pode, se tudo der certo e os gestores ambientais do governo federal não se distraírem com petróleo, configurar uma tendencia que colocará a taxa de desmatamento dentro da margem do histórico ano de 2012.
Foi um sucesso a COP30 e o governo federal reforçou a liderança brasileira para a política internacional de meio ambiente.
Estão, por óbvio, o governo do Pará e a Prefeitura de Belém de parabéns.