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Reforma agrária acabou em 2012, podemos extinguir o Incra!
Em excelente artigo publicado no jornal Estadão, no dia 28 de abril último, Paulo Freire Mello, agrônomo com doutorado e trajetória reconhecida no estudo do setor rural nacional faz duas contundentes afirmações: a reforma agrária foi concluída em 2012 e podemos encerrar as atividades do Incra.
Ambas as conclusões são verdadeiras e comprovadas em robustas estatísticas compulsadas tanto pelo autor quanto por um conjunto expressivo de especialistas, incluindo, o igualmente reconhecido, Xico Graziano no artigo “O Incra deveria ser extinto” publicado no jornal eletrônico Poder360 em 12/05/2026.
Com relação a primeira conclusão de que a reforma agrária brasileira foi concluída em 2012, Paulo Freire Mello defende que nos moldes e para os objetivos definidos na legislação agrária nacional não há terra e tampouco produtores para novos assentamentos rurais.
Com recordes de assentamentos obtidos durante o governo FHC, desde a década de 1990 a quantidade de produtores rurais assentados anualmente vem diminuindo de maneira regular.
Considerar uma data para o encerramento da reforma agrária, no caso 2012, assume importância crucial para que o país planeje a atuação da política de incentivo à produção rural em um novo e promissor cenário.
Melhor, o autor, afirma que o modelo de campesinato adorado por pesquisadores e estudiosos marxistas, que não conseguem se livrar de um retrógrado pensamento de esquerda já bem superado mundo afora, esgotou, não existe mais.
Isto é, a despeito dos marxistas chamarem de agronegocinho, numa referência preconceituosa à maneira como alguns pequenos e médios produtores rurais se adequam ao novo cenário, o fato é que o ator social campesino, vem desaparecendo nas estatísticas todos os anos.
Mas não é pelo encerramento oficial da reforma agrária, segundo as estatísticas em 2012, que o Incra deveria ser extinto, embora seja uma justificativa mais que suficiente.
A razão da extinção do Incra é bem mais grave.
Com uma clareza e sensibilidade exemplar Paulo Freire Mello argumenta, com conhecimento de causa, o seguinte:
“Para entender por que o Incra não entrega resultados, examine-se a visível ineficiência de sua burocracia, decorrente de razões que a sociologia já demonstrou sobejamente e que envolvem uma associação de hiperpolitização, personalismo, retraimento e ritualismo.”
Das quatro razões apontadas pelo autor para o fracasso e a demanda pela extinção do Incra a hiperpolitização chama atenção.
Afinal, é mais do que conhecido por todos os engenheiros florestais e agrônomos, para não ficar somente nos economistas e sociólogos, que o Incra vem sendo, ao longo dos últimos 30 anos, aparelhado por partidos de esquerda que ainda pensam que a revolução em direção ao socialismo ou comunismo virá do meio rural, algo que caducou faz tempo.
Mais adiante o autor explica com mais clareza ainda o fracasso institucional do Incra, assim:
“Instalou-se no órgão um melancólico pacto de mediocridade. Ou seja, dirigentes vinculados a organizações políticas garantem a paz interna ao ignorarem metas de produtividade, enquanto a burocracia aceita a ingerência em troca de sua passiva acomodação. O produtor rural que solicita seu título de terra enfrenta um labirinto processual, mas as ações priorizadas pelos atores políticos recebem atenção célere. Um exemplo se refere à impressionante soma de R$ 2,3 bilhões gastos em centenas de parcerias com entes externos, somente entre 2008 e 2018, cujos resultados pouco contribuíram para o desempenho da missão do Incra (demonstrados no livro do autor, Lógicas de ação no serviço público: uma análise plural do Incra).”
Não será no governo de agora, mas em um futuro cada vez mais próximo a extinção do Incra permitirá, finalmente, encerrar a reforma agrária no Brasil!
Terceira pergunta que órfãos do Projeto Florestania poderiam responder
O modelo de expansão produtiva que tornou hegemônica a pecuária extensiva, que atualmente ocupa quase 100% das terras com logística favorável na margem dos principais rios (Juruá, Purus e Acre) e rodovias (BR364 e 317) , foi necessário um forte arcabouço institucional público.
Nas mais de seis décadas de investimento, tanto os governos municipais quanto os estaduais, de qualquer partido político (na época nem existia a insignificante classificação atual de esquerda ou direita), criaram instituições e contrataram muitos servidores para apoiar o desenvolvimento proporcionado pelo modelo da pecuária extensiva no Acre.
Segunda pergunta que órfãos do Projeto Florestania poderiam responder
A imensa maioria dos especialistas em desenvolvimento regional alertavam que ao se apresentar como alternativa à pecuária extensiva, sempre associada aos objetivos do desmatamento, a tese da Saída pela Floresta, com seu desmatamento zero, poderia atrair investimentos em montante jamais almejado pela criação de boi solto no pasto.
E foi o que aconteceu!
Após ser transformado em plataforma eleitoral e logo depois no Programa Florestania, todas as três grandes agências de financiamento ao desenvolvimento regional (BNDES, BID e Banco Mundial) liberaram empréstimos e doações em um volume excepcional para bancar um conjunto variado de projetos que tinham como eixo o modelo da Saída pela Floresta.
[leia mais...]Perguntas que os órfãos do Projeto Florestania deveriam responder
Elevar o PIB florestal estadual não entrou no radar a despeito de os líderes políticos do Projeto Florestania assumirem a redução do desmatamento como propósito, em todas as campanhas eleitorais mesmo cientes de que o desmatamento zero só poderia ser alcançado a partir da adoção do modelo de desenvolvimento ancorado na Saída pela Floresta.
[leia mais...]Modelo de desenvolvimento “Saída pela Floresta” foi contaminado pelo Projeto Florestania no Acre
Sem expoentes na academia, nas ciências e nas artes, sem líderes na política, o Projeto Florestania agora impede que a imprescindível discussão sobre a existência de alternativa econômica à pecuária extensiva seja retomada nos moldes dos profundos debates ocorridos desde a segunda metade da década de 1980.
[leia mais...]Regeneração Natural Assistida reduz em mais de 70% os custos para o reflorestamento conservacionista
Os engenheiros florestais, profissionais que estão bem mais familiarizados com a regeneração natural, posto que possuem domínio da tecnologia de manejo florestal de florestas nativas, não duvidam do potencial da Regeneração Natural Assistida para redução de custos.
[leia mais...]Projeto Florestania e os órfãos do Acre
Contaminado pela política eleitoral, o modelo econômico da saída pela floresta passou a ter cara e endereço, como se fizesse parte do fracassado Projeto Florestania que tem a assinatura de um ou outro grupo político.
[leia mais...]Projeto Florestania não deixa seguidores no Acre
Talvez cinco especialistas, órfãos do Florestania, ainda continuem pensando em seu cotidiano nas evidencias que demonstram a superioridade do modelo de desenvolvimento baseado na biodiversidade florestal quando comparada á expansão da pecuária extensiva no Acre.
[leia mais...]Projeto Florestania não deixa referencia teórica no Acre
Não existem mais de cinco especialistas, órfãos do Florestania, produzindo evidencias acerca da superioridade do modelo econômico de desenvolvimento baseado na biodiversidade florestal quando comparada á expansão e consolidação da pecuária extensiva no Acre, a despeito de todos se ressentirem da reduzida produção teórica.
[leia mais...]Oscar 2026 continuará premiando o politicamente correto
Talvez, pela tendência de queda de audiência em um ambiente de transformações competitivas profundas, sobretudo com o surgimento e consolidação de Netflix, Prime, HBO e assim por diante, é que o apelo ao politicamente correto ganhou espaço que parece não ter mais volta.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Aliciamento eleitoral não evitou derrocada
Não eram poucos técnicos, estavam bem qualificados e dariam conta da transformação produtiva do Acre em direção à produção explorada na biodiversidade florestal. Mas algo não aconteceu!
Faltaram algumas coisas, todavia, a principal lacuna foi a ausência de determinação política.
Os líderes políticos, eleitos governador e prefeito, bem cedo, deixaram a equipe técnica e as instituições à deriva, a partir do momento que entenderam que a pecuária extensiva estaria excluída da prescrição técnica e científica predominante na estratégia da saída pela floresta e, logo depois, na execução do Projeto Florestania.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Com ZEE a Governabilidade foi capturada pelo agronegócio da pecuária extensiva
Em síntese, mesmo que em um primeiro momento a Capacidade de Governo para concretizar o Projeto Florestania deu ênfase na valorização da biodiversidade florestal como principal ativo econômico acreano, o ZEE concretizou o contrário.
Aquela suposta determinação inicial por um progresso a ser alcançado por meio de uma economia de baixo carbono, ancorada na biodiversidade florestal e com desmatamento zero, que havia sido estimulada e impingida pelos contratos de financiamento com a tríade BNDES, Banco Mundial e Banco Interamericano, sucumbiu a partir da aprovação do ZEE.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Bancos apoiaram a “saída pela floresta”
Durante o sucesso eleitoral, que durou até 2018, impossível deixar de reconhecer o empenho do Banco Mundial, BNDES e Banco Interamericano, que emprestaram parte e doaram outra parcela expressiva do dinheiro empregado na execução da Política Estadual de Florestas e das diretrizes do Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre.
Em nenhum momento nesse período e mesmo depois com as sucessivas vitórias eleitorais do Projeto Agronegócio os três bancos se arriscaram a associar sua marca com o desmatamento ilegal e o legalizado, ao financiar a criação de boi solto no pasto.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Técnicos, ONGs e Capacidade de Governo
Antes de se chamar Florestania e ser alçado à condição de Projeto de Governo em 1999, um conjunto de seis organizações não governamentais, ou do terceiro setor, ou ainda organizações da sociedade civil, para usar uma denominação menos preconceituosa, discutiram e detalharam vários pontos do que chamavam de saída pela floresta.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Gestores e técnicos despreparados
Lançando mão do exemplo mais evidente e de simples constatação, tanto a política florestal iniciada em 2001 quanto o Sistema Estadual de Áreas Naturais Protegidas, considerados pilares para o Projeto Florestania, requeriam gestores com perfil e competência para conseguir ampliar a pequena participação da biodiversidade florestal na riqueza ou PIB acreano.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Equipe técnica sem Capacidade de Governo
Todo profissional envolvido com setor produtivo entende as dificuldades para selecionar, treinar e fazer funcionar uma equipe de profissionais com especializações diversas em uma indústria, num supermercado, numa escola e até mesmo numa padaria.
Agora imaginem conseguir reunir vários peritos, alguns estreantes no serviço público com o propósito de, no curto prazo, consolidar uma Capacidade de Governo para atender cobranças imediatas por educação e saúde, enquanto colocava em pratica um rol de demandas novas, inventadas para viabilizar o Projeto Florestania.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Projeto de Governo não convenceu
Logo nos primeiros quatro de uma hegemonia que durou 20 anos, poucos insatisfeitos com a generalização do Florestania foram convencidos de que o detalhamento da estratégia de desenvolvimento viria com o Zoneamento Econômico e Ecológico, ZEE.
O que também, como se verá, não aconteceu.
Muito pelo contrário. De fato, com a aprovação da Lei 1.904 em 2007, que instituiu o ZEE no Acre, o agronegócio da pecuária extensiva recebeu significativa e bem localizada área de terras cobertas com florestas, em especial ao longo das rodovias BR 364 e 317, para sua ampliação por meio do desmatamento, agora legalizado pelo ZEE.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Projeto priorizou acreanismo e não PIB
Considerado ousado e inovador o Projeto de Governo Florestania, concebido por organizações da sociedade civil na segunda metade da década de 1980 e, em tese, iniciado de forma efetiva no Acre em 1999, deveria ter estabelecido as bases para um desenvolvimento econômico duradouro, sustentado na biodiversidade florestal e que mostrasse os caminhos para o futuro, mas não foi o que aconteceu.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Projeto de Governo sem objetivo claro
Sendo a primeira eleição municipal após a derrocada em 2018 do grupo político que concebeu o Projeto de Governo Florestania, o retorno da pecuária extensiva enquanto identidade produtiva estadual foi uma decisão eleitoral, de certa maneira, bastante óbvia.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Razões para o fracasso
Desde o sucesso eleitoral em 1999, que o Projeto Florestania, um neologismo criado para sintetizar um conceito abstrato de cidadania associado ao crescimento econômico ancorado na biodiversidade florestal, venceu todas sucessivas eleições até chegar ao fracasso nos pleitos de 2018, 2020, 2022 e agora em 2024 de forma, no mínimo, constrangedora.
Encontrar as razões para o sucesso eleitoral por vinte anos e os seguidos fracassos pelos últimos oito do Projeto Florestania, não é tarefa fácil.
Mas uma coisa é certa. Os resultados eleitorais mostram que existe forte rejeição aos líderes políticos, mesmo quando tentam se afastar dos ideais do Projeto Florestania, com o agravante de que a defesa, por todos os candidatos a cargos majoritários, do Projeto Agronegócio da pecuária extensiva desnudou a ausência de rumo para o desenvolvimento do Acre dos grupos políticos de direita, de centro e de esquerda.
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