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Terceira pergunta que órfãos do Projeto Florestania poderiam responder
Desde que o segundo ciclo econômico da borracha foi dado por encerrado e as políticas de promoção da extração da Hevea, incluindo sua mais importante agência de fomento a Sudhevea e agente de crédito o Basa, foram sepultadas que os elevados recursos públicos destinados ao desenvolvimento regional no Acre migraram para subsidiar a pecuária extensiva.
A partir da década de 1960, com alguns breves momentos em que a gritaria pública pelo abandono do seringal tradicional e do produtor seringueiro à própria sorte arrancou um pouco de investimento para a borracha, a pecuária extensiva recebeu tudo que precisava: muito capital, fartura de terra com floresta e alguma força de trabalho.
Para colocar em prática o modelo de expansão produtiva que tornou hegemônica a pecuária extensiva, que atualmente ocupa quase 100% das terras com logística favorável na margem dos principais rios (Juruá, Purus e Acre) e rodovias (BR364 e 317) em que o desmatamento em algumas localidades extrapolou o limite legal imposto pelo Código Florestal de 2012, foi organizado um forte arcabouço institucional estatal.
Nas mais de seis décadas de investimento e de consolidação, tanto os governos municipais quanto os estaduais, de qualquer partido político (na época nem existia a classificação rasteira atual de esquerda ou direita), criaram instituições e contrataram muitos servidores para apoiar o desenvolvimento proporcionado pelo modelo da pecuária extensiva.
Todas, sem exceção, as Secretarias de Governo no Acre, de maneira direta ou indireta, entendem, concordam e se dedicam ao fortalecimento da pecuária extensiva, quer atue na Educação, Saúde ou, claro, na produção rural.
Mesmo no interior dos órgãos com missão explícita no monitoramento ambiental, em um emaranhado institucional que inclui secretarias de município e do governo estadual de meio ambiente e órgãos como o Imac, batalhão florestal e escritório local do Ibama, a pecuária extensiva é tratada com parcimônia por ser considerada referência para a economia do Acre.
Passar de um Estado da pecuária extensiva com mais de sessenta anos de institucionalização, para o Estado da Saída pela Floresta, exigia um período de transição que teria duração indefinida com chance real de fracasso.
E foi o que aconteceu!
Depois de responder as duas primeiras de cinco questões antes, a terceira pergunta que surge poderia ser resumida e expressa, mais ou menos, da seguinte maneira:
Pergunta 3 – Como instituir um sistema de transição do modelo baseado na pecuária extensiva para o da Saída pela Floresta, conseguindo alterações profundas de missão, valores e visão de futuro, em um conjunto expressivo de instituições governamentais?
Na verdade o desafio imposto é que mesmo se uma legislação específica destinada a fornecer perenidade ao Projeto Florestania tivesse sido aprovada, o que não aconteceu, o processo de transição nas instituições seria, por óbvio, bastante traumático. No final das contas internalizar na gestão pública estadual mecanismos administrativos para superar o extenso período dedicado à consolidação da pecuária extensiva como modelo de desenvolvimento se mostrou tarefa bem mais complexa que o fácil discurso eleitoral. Deveria estar claro a todos os envolvidos na execução do modelo de desenvolvimento alternativo, com desmatamento zero, que a arquitetura organizacional das instituições de governo existente era composta por órgãos demandados pelo antigo modelo de desenvolvimento ancorado na pecuária extensiva e que a Saída pela Floresta necessitaria de um novo arranjo institucional. Infelizmente, na ausência de estudos aprofundados sobre quais órgãos poderiam ser criados ou aqueles a serem extintos o Florestania se limitou a alterar, com forte viés populista, nome e designações em secretarias e órgãos que continuaram, de certa maneira e com raras exceções, realizando o mesmo rotineiro trabalho de suporte ao modelo baseado no desmatamento que se pretendia superar. Talvez, somente talvez, a criação do Instituto de Mudanças Climáticas tivesse a intenção de iniciar o processo de transição para a Saída pela Floresta, se assim foi o fracasso do IMC não poderia ser mais evidente.
Nada mais revelador quando em 2014, em sua continuidade o mesmo governo com quase os mesmos gestores retomou o apoio explícito à pecuária extensiva.
Reforma agrária acabou em 2012, podemos extinguir o Incra!
Com relação a conclusão de que a reforma agrária brasileira foi concluída em 2012, Paulo Freire Mello defende que nos moldes e para os objetivos definidos na legislação agrária nacional não há terra e tampouco produtores para novos assentamentos rurais.
Considerar uma data para o encerramento da reforma agrária, no caso 2012, assume importância crucial para que o país planeje a atuação da política de incentivo à produção rural em um novo e promissor cenário.
[leia mais...]Segunda pergunta que órfãos do Projeto Florestania poderiam responder
A imensa maioria dos especialistas em desenvolvimento regional alertavam que ao se apresentar como alternativa à pecuária extensiva, sempre associada aos objetivos do desmatamento, a tese da Saída pela Floresta, com seu desmatamento zero, poderia atrair investimentos em montante jamais almejado pela criação de boi solto no pasto.
E foi o que aconteceu!
Após ser transformado em plataforma eleitoral e logo depois no Programa Florestania, todas as três grandes agências de financiamento ao desenvolvimento regional (BNDES, BID e Banco Mundial) liberaram empréstimos e doações em um volume excepcional para bancar um conjunto variado de projetos que tinham como eixo o modelo da Saída pela Floresta.
[leia mais...]Perguntas que os órfãos do Projeto Florestania deveriam responder
Elevar o PIB florestal estadual não entrou no radar a despeito de os líderes políticos do Projeto Florestania assumirem a redução do desmatamento como propósito, em todas as campanhas eleitorais mesmo cientes de que o desmatamento zero só poderia ser alcançado a partir da adoção do modelo de desenvolvimento ancorado na Saída pela Floresta.
[leia mais...]Modelo de desenvolvimento “Saída pela Floresta” foi contaminado pelo Projeto Florestania no Acre
Sem expoentes na academia, nas ciências e nas artes, sem líderes na política, o Projeto Florestania agora impede que a imprescindível discussão sobre a existência de alternativa econômica à pecuária extensiva seja retomada nos moldes dos profundos debates ocorridos desde a segunda metade da década de 1980.
[leia mais...]Regeneração Natural Assistida reduz em mais de 70% os custos para o reflorestamento conservacionista
Os engenheiros florestais, profissionais que estão bem mais familiarizados com a regeneração natural, posto que possuem domínio da tecnologia de manejo florestal de florestas nativas, não duvidam do potencial da Regeneração Natural Assistida para redução de custos.
[leia mais...]Projeto Florestania e os órfãos do Acre
Contaminado pela política eleitoral, o modelo econômico da saída pela floresta passou a ter cara e endereço, como se fizesse parte do fracassado Projeto Florestania que tem a assinatura de um ou outro grupo político.
[leia mais...]Projeto Florestania não deixa seguidores no Acre
Talvez cinco especialistas, órfãos do Florestania, ainda continuem pensando em seu cotidiano nas evidencias que demonstram a superioridade do modelo de desenvolvimento baseado na biodiversidade florestal quando comparada á expansão da pecuária extensiva no Acre.
[leia mais...]Projeto Florestania não deixa referencia teórica no Acre
Não existem mais de cinco especialistas, órfãos do Florestania, produzindo evidencias acerca da superioridade do modelo econômico de desenvolvimento baseado na biodiversidade florestal quando comparada á expansão e consolidação da pecuária extensiva no Acre, a despeito de todos se ressentirem da reduzida produção teórica.
[leia mais...]Oscar 2026 continuará premiando o politicamente correto
Talvez, pela tendência de queda de audiência em um ambiente de transformações competitivas profundas, sobretudo com o surgimento e consolidação de Netflix, Prime, HBO e assim por diante, é que o apelo ao politicamente correto ganhou espaço que parece não ter mais volta.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Aliciamento eleitoral não evitou derrocada
Não eram poucos técnicos, estavam bem qualificados e dariam conta da transformação produtiva do Acre em direção à produção explorada na biodiversidade florestal. Mas algo não aconteceu!
Faltaram algumas coisas, todavia, a principal lacuna foi a ausência de determinação política.
Os líderes políticos, eleitos governador e prefeito, bem cedo, deixaram a equipe técnica e as instituições à deriva, a partir do momento que entenderam que a pecuária extensiva estaria excluída da prescrição técnica e científica predominante na estratégia da saída pela floresta e, logo depois, na execução do Projeto Florestania.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Com ZEE a Governabilidade foi capturada pelo agronegócio da pecuária extensiva
Em síntese, mesmo que em um primeiro momento a Capacidade de Governo para concretizar o Projeto Florestania deu ênfase na valorização da biodiversidade florestal como principal ativo econômico acreano, o ZEE concretizou o contrário.
Aquela suposta determinação inicial por um progresso a ser alcançado por meio de uma economia de baixo carbono, ancorada na biodiversidade florestal e com desmatamento zero, que havia sido estimulada e impingida pelos contratos de financiamento com a tríade BNDES, Banco Mundial e Banco Interamericano, sucumbiu a partir da aprovação do ZEE.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Bancos apoiaram a “saída pela floresta”
Durante o sucesso eleitoral, que durou até 2018, impossível deixar de reconhecer o empenho do Banco Mundial, BNDES e Banco Interamericano, que emprestaram parte e doaram outra parcela expressiva do dinheiro empregado na execução da Política Estadual de Florestas e das diretrizes do Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre.
Em nenhum momento nesse período e mesmo depois com as sucessivas vitórias eleitorais do Projeto Agronegócio os três bancos se arriscaram a associar sua marca com o desmatamento ilegal e o legalizado, ao financiar a criação de boi solto no pasto.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Técnicos, ONGs e Capacidade de Governo
Antes de se chamar Florestania e ser alçado à condição de Projeto de Governo em 1999, um conjunto de seis organizações não governamentais, ou do terceiro setor, ou ainda organizações da sociedade civil, para usar uma denominação menos preconceituosa, discutiram e detalharam vários pontos do que chamavam de saída pela floresta.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Gestores e técnicos despreparados
Lançando mão do exemplo mais evidente e de simples constatação, tanto a política florestal iniciada em 2001 quanto o Sistema Estadual de Áreas Naturais Protegidas, considerados pilares para o Projeto Florestania, requeriam gestores com perfil e competência para conseguir ampliar a pequena participação da biodiversidade florestal na riqueza ou PIB acreano.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Equipe técnica sem Capacidade de Governo
Todo profissional envolvido com setor produtivo entende as dificuldades para selecionar, treinar e fazer funcionar uma equipe de profissionais com especializações diversas em uma indústria, num supermercado, numa escola e até mesmo numa padaria.
Agora imaginem conseguir reunir vários peritos, alguns estreantes no serviço público com o propósito de, no curto prazo, consolidar uma Capacidade de Governo para atender cobranças imediatas por educação e saúde, enquanto colocava em pratica um rol de demandas novas, inventadas para viabilizar o Projeto Florestania.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Projeto de Governo não convenceu
Logo nos primeiros quatro de uma hegemonia que durou 20 anos, poucos insatisfeitos com a generalização do Florestania foram convencidos de que o detalhamento da estratégia de desenvolvimento viria com o Zoneamento Econômico e Ecológico, ZEE.
O que também, como se verá, não aconteceu.
Muito pelo contrário. De fato, com a aprovação da Lei 1.904 em 2007, que instituiu o ZEE no Acre, o agronegócio da pecuária extensiva recebeu significativa e bem localizada área de terras cobertas com florestas, em especial ao longo das rodovias BR 364 e 317, para sua ampliação por meio do desmatamento, agora legalizado pelo ZEE.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Projeto priorizou acreanismo e não PIB
Considerado ousado e inovador o Projeto de Governo Florestania, concebido por organizações da sociedade civil na segunda metade da década de 1980 e, em tese, iniciado de forma efetiva no Acre em 1999, deveria ter estabelecido as bases para um desenvolvimento econômico duradouro, sustentado na biodiversidade florestal e que mostrasse os caminhos para o futuro, mas não foi o que aconteceu.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Projeto de Governo sem objetivo claro
Sendo a primeira eleição municipal após a derrocada em 2018 do grupo político que concebeu o Projeto de Governo Florestania, o retorno da pecuária extensiva enquanto identidade produtiva estadual foi uma decisão eleitoral, de certa maneira, bastante óbvia.
[leia mais...]Fim do Florestania no Acre: Razões para o fracasso
Desde o sucesso eleitoral em 1999, que o Projeto Florestania, um neologismo criado para sintetizar um conceito abstrato de cidadania associado ao crescimento econômico ancorado na biodiversidade florestal, venceu todas sucessivas eleições até chegar ao fracasso nos pleitos de 2018, 2020, 2022 e agora em 2024 de forma, no mínimo, constrangedora.
Encontrar as razões para o sucesso eleitoral por vinte anos e os seguidos fracassos pelos últimos oito do Projeto Florestania, não é tarefa fácil.
Mas uma coisa é certa. Os resultados eleitorais mostram que existe forte rejeição aos líderes políticos, mesmo quando tentam se afastar dos ideais do Projeto Florestania, com o agravante de que a defesa, por todos os candidatos a cargos majoritários, do Projeto Agronegócio da pecuária extensiva desnudou a ausência de rumo para o desenvolvimento do Acre dos grupos políticos de direita, de centro e de esquerda.
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