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Oscar 2026 continuará premiando o politicamente correto

Ecio Rodrigues & Aurisa Paiva, 15/03/2026

Para alguns poucos cansados com as narrativas sobre racismo, misoginia e outras gritarias com pouca discussão, a premiação do Oscar 2026 no domingo, dia 15 de março, poderá ser entediante.

Torcidas de pura brasilidade à parte, afinal todos esperamos que o nosso filme vença alguma das quatro indicações, ou até mais de uma, quem sabe? O que se percebe é que desde a virada do milênio e principalmente após a pandemia a indústria cinematográfica exibe tendência de queda perigosa.

Talvez por isso, pela tendência de queda de audiência em um ambiente de transformações competitivas profundas, sobretudo com o surgimento e consolidação  de Netflix, Prime, HBO e assim por diante, é que o apelo ao politicamente correto ganhou espaço que parece não ter mais volta.

Não à toa, dos oito roteiros indicados ao premio máximo de melhor filme de 2026, a imensa maioria se refere à história, adaptada ou original, de algum tipo de superação que afeta alguma minoria e, claro, o cansativo racismo.

Tirando da lista a sessão da tarde do repetitivo “Fórmula 1”, que depende única e exclusivamente do carisma do Brad Pitt para entreter uma fiel audiência, os outros sete longas expressam, de modo direto ou não, algum tipo do politicamente correto do momento.

No meu preferido “Sonhos de Trem”, o trabalhador chinês, que contribuiu na construção de uma das maiores redes ferroviárias do mundo, foi perseguido de maneira absurda pelos colegas trabalhadores americanos nascidos nas redondezas.

Expressão maior do apelo ao politicamente correto, com resultados surpreendentes diga-se, ficou por conta do sofrível “Pecadores” que narra a saga de vampiros brancos que além de racistas extremos contaminam a população negra que, logo depois, vai competir pelo sangue com eles próprios.

Difícil de assistir as transformações das pessoas em vampiros e o que tenta manter, porem sem conseguir, a atenção de quem assiste são as referencias ao jazz, que apesar de excelentes, carregam um peso de repetição de igual forma cansativa.

O politicamente correto chega ao ponto de condenar um pai, que por se dedicar ao teatro e ao cinema, dirigindo filmes e peças, se afasta das filhas e da esposa, embora se esforce para se fazer presente.

Algo muito comum na vida de muita gente, que acorda cedo para trabalhar e só volta no final da tarde, mas que os noruegueses do razoável “Valor Sentimental” consideram algo de um sofrimento que para nós parece deveras distante.

Além de mostrar um país que não existe e, felizmente, nunca existiu, o brasileiro “Agente Secreto” carrega na tinta de uma desigualdade e um autoritarismo que não faz parte de nossa realidade o que atrapalha a compreensão da história e deixa o entretenimento precário.

No final das contas, vencendo em duas edições seguidas o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, com ou sem o politicamente correto, o cinema brasileiro muda de patamar, isso o que vale.

Por isso, no domingo só a vitória importa.

Fim do Florestania no Acre: Aliciamento eleitoral não evitou derrocada

08/03/2026

Não eram poucos técnicos, estavam bem qualificados e dariam conta da transformação produtiva do Acre em direção à produção explorada na biodiversidade florestal. Mas algo não aconteceu!

Faltaram algumas coisas, todavia, a principal lacuna foi a ausência de determinação política.

Os líderes políticos, eleitos governador e prefeito, bem cedo, deixaram a equipe técnica e as instituições à deriva, a partir do momento que entenderam que a pecuária extensiva estaria excluída da prescrição técnica e científica predominante na estratégia da saída pela floresta e, logo depois, na execução do Projeto Florestania.

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Fim do Florestania no Acre: Com ZEE a Governabilidade foi capturada pelo agronegócio da pecuária extensiva     

01/03/2026

Em síntese, mesmo que em um primeiro momento a Capacidade de Governo para concretizar o Projeto Florestania deu ênfase na valorização da biodiversidade florestal como principal ativo econômico acreano, o ZEE concretizou o contrário.

Aquela suposta determinação inicial por um progresso a ser alcançado por meio de uma economia de baixo carbono, ancorada na biodiversidade florestal e com desmatamento zero, que havia sido estimulada e impingida pelos contratos de financiamento com a tríade BNDES, Banco Mundial e Banco Interamericano, sucumbiu a partir da aprovação do ZEE.

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Fim do Florestania no Acre: Bancos apoiaram a “saída pela floresta”

22/02/2026

Durante o sucesso eleitoral, que durou até 2018, impossível deixar de reconhecer o empenho do Banco Mundial, BNDES e Banco Interamericano, que emprestaram parte e doaram outra parcela expressiva do dinheiro empregado na execução da Política Estadual de Florestas e das diretrizes do Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre.

Em nenhum momento nesse período e mesmo depois com as sucessivas vitórias eleitorais do Projeto Agronegócio os três bancos se arriscaram a associar sua marca com o desmatamento ilegal e o legalizado, ao financiar a criação de boi solto no pasto.

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Fim do Florestania no Acre: Técnicos, ONGs e Capacidade de Governo     

15/02/2026

Antes de se chamar Florestania e ser alçado à condição de Projeto de Governo em 1999, um conjunto de seis organizações não governamentais, ou do terceiro setor, ou ainda organizações da sociedade civil, para usar uma denominação menos preconceituosa, discutiram e detalharam vários pontos do que chamavam de saída pela floresta.

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Fim do Florestania no Acre: Gestores e técnicos despreparados     

08/02/2026

Lançando mão do exemplo mais evidente e de simples constatação, tanto a política florestal iniciada em 2001 quanto o Sistema Estadual de Áreas Naturais Protegidas, considerados pilares para o Projeto Florestania, requeriam gestores com perfil e competência para conseguir ampliar a pequena participação da biodiversidade florestal na riqueza ou PIB acreano.

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Fim do Florestania no Acre: Equipe técnica sem Capacidade de Governo

01/02/2026

Todo profissional envolvido com setor produtivo entende as dificuldades para selecionar, treinar e fazer funcionar uma equipe de profissionais com especializações diversas em uma indústria, num supermercado, numa escola e até mesmo numa padaria.

Agora imaginem conseguir reunir vários peritos, alguns estreantes no serviço público com o propósito de, no curto prazo, consolidar uma Capacidade de Governo para atender cobranças imediatas por educação e saúde, enquanto colocava em pratica um rol de demandas novas, inventadas para viabilizar o Projeto Florestania.

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Fim do Florestania no Acre: Projeto de Governo não convenceu

25/01/2026

Logo nos primeiros quatro de uma hegemonia que durou 20 anos, poucos insatisfeitos com a generalização do Florestania foram convencidos de que o detalhamento da estratégia de desenvolvimento viria com o Zoneamento Econômico e Ecológico, ZEE.

O que também, como se verá, não aconteceu.

Muito pelo contrário. De fato, com a aprovação da Lei 1.904 em 2007, que instituiu o ZEE no Acre, o agronegócio da pecuária extensiva recebeu significativa e bem localizada área de terras cobertas com florestas, em especial ao longo das rodovias BR 364 e 317, para sua ampliação por meio do desmatamento, agora legalizado pelo ZEE.

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Fim do Florestania no Acre: Projeto priorizou acreanismo e não PIB

18/01/2026

Considerado ousado e inovador o Projeto de Governo Florestania, concebido por organizações da sociedade civil na segunda metade da década de 1980 e, em tese, iniciado de forma efetiva no Acre em 1999, deveria ter estabelecido as bases para um desenvolvimento econômico duradouro, sustentado na biodiversidade florestal e que mostrasse os caminhos para o futuro, mas não foi o que aconteceu.

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Fim do Florestania no Acre: Projeto de Governo sem objetivo claro

11/01/2026

Sendo a primeira eleição municipal após a derrocada em 2018 do grupo político que concebeu o Projeto de Governo Florestania, o retorno da pecuária extensiva enquanto identidade produtiva estadual foi uma decisão eleitoral, de certa maneira, bastante óbvia.

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Fim do Florestania no Acre: Razões para o fracasso

04/01/2026

Desde o sucesso eleitoral em 1999, que o Projeto Florestania, um neologismo criado para sintetizar um conceito abstrato de cidadania associado ao crescimento econômico ancorado na biodiversidade florestal, venceu todas sucessivas eleições até chegar ao fracasso nos pleitos de 2018, 2020, 2022 e agora em 2024 de forma, no mínimo, constrangedora.

Encontrar as razões para o sucesso eleitoral por vinte anos e os seguidos fracassos pelos últimos oito do Projeto Florestania, não é tarefa fácil.

Mas uma coisa é certa. Os resultados eleitorais mostram que existe forte rejeição aos líderes políticos, mesmo quando tentam se afastar dos ideais do Projeto Florestania, com o agravante de que a defesa, por todos os candidatos a cargos majoritários, do Projeto Agronegócio da pecuária extensiva desnudou a ausência de rumo para o desenvolvimento do Acre dos grupos políticos de direita, de centro e de esquerda.

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