Embora as sociedades, quase todas mundo afora, concordem em perder pontos na métrica da sustentabilidade ambiental para aumentar a riqueza, na imensa maioria dos empreendimentos a riqueza gerada não compensa os custos requeridos para restaurar os ecossistemas degradados, de modo a retornar ao nível de sustentabilidade anterior à geração da riqueza.
E a razão é simples, a conta da sustentabilidade não fecha e o prejuízo costuma assustar.
De modo a fugir dessa equação de sustentabilidade visivelmente precária, que funciona no vermelho desde o final do século passado, ganha expressão nos meios acadêmicos e científicos o que se convencionou chamar de “solução baseada na natureza”.
Em síntese, a lógica seria mais ou menos assim.
Se e quando uma atividade produtiva, ao invés de trazer perda de sustentabilidade ecológica em determinada região promover ganhos econômicos e de sustentabilidade seria o melhor dos mundos.
Exemplos desse tipo, por mais que pareçam contos de fadas, são comuns na Amazônia.
A começar pelo ciclo econômico da borracha que do final do século dezenove até 1911, elevou a riqueza ou o Produto Interno Bruto da região a níveis nunca depois superados.
Computados os elevados ganhos econômicos, a extração da borracha nativa envolvia ganhos em sustentabilidade pela conservação necessária das árvores e da floresta no entorno exigida pelo manejo da Hevea Brasiliensis realizado pelo produtor extrativista ou seringueiro.
Atividade econômica considerada ganho-ganha (que gera riqueza e amplia a sustentabilidade) do tipo especial da extração de borracha se repete na produção da polpa de açaí, no manejo de cacau nativo, na coleta de sementes de árvores de mogno, cedro… e em mais um tanto de possibilidades.
Não pode haver dúvida, em teoria diga-se, que uma organização produtiva desse tipo, nos moldes de um Cluster do Ecossistema, traria mais competitividade para Amazônia que um boi solto em quase dois hectares do pasto que ficou no lugar das árvores.
Importante frisar que é em teoria, posto que a bibliografia especializada em vantagem competitiva apresenta e discute as experiências dos aglomerados econômicos nas indústrias tradicionais.
Na verdade, foi através do estudo da indústria tradicional, incluindo a indústria da pecuária extensiva, que foi possível sistematizar e conceber os pressupostos da teoria da vantagem competitiva para as soluções baseadas na natureza.
O desafio proposto aos especialistas em negócios, administradores e demais pesquisadores agora consiste em adequar a robusta teoria da competitividade regional à realidade do ecossistema amazônico, dominado por uma floresta tropical de grande biodiversidade, mediante a esquematização dum cluster do ecossistema, ou seja, a reunião de diversos setores industriais que tenham em comum a origem de sua matéria-prima, como primeiro elo da cadeia produtiva o interior do ecossistema.
Um desafio, claro, gigantesco por várias razões, duas merecem destaque.
A primeira é que não existe, na Amazônia, nenhum cluster já estabelecido para ser diagnosticado, o que seria o ideal.
Talvez o empreendimento regional que mais se aproxime da ideia de cluster seja a zona franca de Manaus, que, entretanto, não guarda nenhuma relação com o cluster do ecossistema e nisso reside a segunda razão da dificuldade do desafio.
Ou seja, a transferência de formulações elaboradas “sob medida” para indústrias tradicionais do setor elétrico eletrônico, ou têxtil, ou ainda da química fina, e até mesmo da pecuária extensiva, para um setor hipotético inexistente em termos de mercado e que jamais foi estudado no seu conjunto sob a ótica comercial: a indústria do ecossistema.
Pode parecer uma lógica complexa, difícil até de imaginar e assim por diante, mas o mercado de carbono que se anuncia comprova que impossível não é!