O momento era oportuno, pois a instalação de alternativas para geração de energia elétrica, a partir de fontes consideradas de tecnologia limpa, em substituição à queima de óleo diesel, era incentivada e gozava de expressivo apoio na imprensa, mas nada mudou no Acre.
Considerada a energia elétrica mais cara do país, 100% da geração de energia elétrica no Acre tinha, na virada do atual século, origem em geradores acionados por motores movidos a óleo diesel, sendo que cada litro queimado demandava outro no transporte de caminhão e balsa até a usina localizada em Rio Branco.
O momento era oportuno também posto que a matriz de geração de energia elétrica nacional passava por um profundo, tardio e muito necessário processo de privatização, de maneira a superar os elevados prejuízos econômicos e sociais causados pela bastante deficitária estatal Eletroacre.
Todos concordavam e ainda devem concordar que está no altíssimo custo da energia elétrica o principal limitante à instalação de indústrias, em especial aquelas baseadas na biodiversidade florestal, que poderiam elevar o PIB do Acre para além da reduzida riqueza proporcionada pela pecuária extensiva.
Mesmo após a necessária ligação ao Sistema Interligado Nacional, SIN, com o linhão trazendo energia limpa das hidrelétricas de Rondônia com a transmissão vinda de Porto Velho e estacionando em Rio Branco (até hoje não chegou ao Rio Juruá), o que reduziu a queima diária de diesel, o custo da eletricidade industrial continua exorbitante no Acre.
Planejar a matriz estadual com a geração de energia elétrica em usinas que queimassem resíduos florestais, em especial madeira, mas incluindo qualquer outra biomassa florestal como ouriço de castanha, por exemplo, poderia ter dado a esperada arrancada que o modelo de desenvolvimento preconizado na Saída pela Floresta requeria.
Nada disso aconteceu!
Bem mais preocupados com o ciclo eleitoral que com os econômicos, os líderes políticos do Projeto Florestania não se dedicaram a compreender a importância que a instalação de usinas de geração de energia elétrica a partir da queima de biomassa florestal, em especial em cidades como Feijó, Santa Rosa do Purus ou Manuel Urbano, significaria para a elevação da participação do setor florestal no PIB estadual.
Depois de responder as quatro primeiras de cinco questões antes, a quinta e última pergunta a ser respondida pelos órfãos do Florestania poderia ser expressa, mais ou menos, da seguinte maneira:
5 – Seria possível garantir a oferta de energia elétrica mais barata, por meio da queima de biomassa florestal na condição de fonte prioritária de geração em cada cidade, sobretudo para aquelas localizadas no interior ou com área urbana localizada nas margens dos rios e distantes da rodovia BR364, que a realidade impõe isolamento inexorável, posto que até 2030 não devam ser atendidas pelo linhão?
Na ausência de condições climáticas favoráveis devido a elevada nebulosidade e baixa ocorrência de ventos para atrair investimentos em usinas de geração de energia elétrica (solar e eólica, respectivamente) e, o mais grave, sem rios com diferença acentuada de altitude para construção das imprescindíveis hidrelétricas, restaria ao Projeto Florestania dedicar esforço intelectual e recursos financeiros para estruturar um complexo permanente e sustentável de geração de eletricidade por meio da queima de biomassa florestal. Infelizmente, apesar de constar em um ou outro projeto de financiamento submetido aos grandes bancos (BNDES, Bird e BID), isso jamais aconteceu.
No final das contas, com exceção da capital, as cidades do Acre continuaram investindo todo recurso do orçamento municipal na consolidação do modelo de desenvolvimento baseado da pecuária extensiva e na cara energia elétrica do óleo diesel.
A organização de um novo setor econômico por meio da eletricidade vinda da biomassa florestal foi esquecida junto com o Florestania, talvez para sempre!