Apesar de os muitos desesperados continuarem aguardando pelo fim do mundo no curto prazo, três acontecimentos importantes colocaram a Amazônia no rumo da sustentabilidade em 2025.

O primeiro e mais importante deles, como não poderia ser diferente, foi a redução expressiva e por quatro períodos consecutivos na taxa anual do desmatamento, medida desde 1988 pelo conceituado Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe.

Tudo indica que conseguimos superar de uma vez por todas a tendência de elevação, que se arrastou durante o período nefasto de 2019 a 2022 em que o governo federal teimava em brigar com o mensageiro, no caso o Inpe, e não em conter o desmatamento.

Por pouco a taxa, inclusive, não fica abaixo dos 5.000 Km2, se igualando ao simbólico ano de 2012 que apresentou a menor taxa da série histórica de estatísticas publicadas pelo Inpe, quando se destruiu uma área de 4.751 Km2 de florestas.

Conseguir uma redução desse calibre não é tarefa fácil e o governo federal merece as congratulações, a despeito de o esforço ter sido concentrado no investimento em fiscalização e no combate, por óbvio, ao desmatamento ilegal.

Um cenário bem mais alvissareiro será obtido quando se conseguir reduzir a atração de investimento representada pela pecuária extensiva praticada a partir do desmatamento da floresta existente em terra com situação fundiária legalizada.

Se por um lado a expansão da pecuária extensiva realizada sob o desmatamento ilegal pode ser contida com o aparato de fiscalização (federal, estadual e municipal), a atratividade do investimento na pecuária extensiva em terra legalizada continua sendo muito superior a qualquer outra atividade produtiva que conserva a floresta em pé em terra legalizada.

Não à toa, o fim do crédito subsidiado, via FNO e gerido pelo Basa, para a pecuária extensiva pode significar o divisor de água para chegar, um dia, ao desmatamento zero.

E não adianta. Não há plano b.

Somente o aumento da competividade da biodiversidade florestal frente à pecuária extensiva, por sinal, praticada com baixíssima produtividade, possibilitará chegar ao desmatamento zero da Amazônia.

O segundo acontecimento importante foi o sucesso da realização da COP30 em Belém do Pará.

Além de colocar o Brasil no rol das lideranças dos países para a política internacional de meio ambiente, nossos diplomatas demonstraram capacidade única de articulação e de capacidade de alcançar resultados.

Sem dúvida poderíamos ter avançado mais na meta do desmatamento zero da Amazônia, entretanto conseguimos ampliar de maneira considerável a quantidade de dinheiro a ser investido em uma transformação produtiva rumo à economia de baixo carbono.

Além disso, o país avançou de maneira significativa na estruturação do mercado de carbono, quer seja o voluntário, regulado ou jurisdicional.

Cada vez mais os governadores da Amazônia se dão conta de que o recurso obtido com o mercado jurisdicional de carbono representa mais que um importante ativo financeiro, fornece também ganho de reputação incomparável à sua administração.

Indicadores de sustentabilidade foram definidos para um rol de atividades produtivas que a partir de agora precisam ir além do discurso verde e se enquadra em um conjunto de métricas para serem consideradas sustentáveis e assim acessar o mercado de carbono.

Por fim e não menos importante, o terceiro acontecimento excepcional foi a aprovação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, o que poderá agilizar, por exemplo, a construção de hidrelétricas na Amazônia aumentando o estoque primordial de água e melhorando a umidade relativa em alguns locais.

Um novo horizonte se apresenta para a Amazônia a partir de 2026 e o futuro com desmatamento zero está cada vez mais próximo.

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