Todo economista de tendência comunista, socialista ou liberal reconhece que a sociedade estará disposta a baixar a régua da sustentabilidade ambiental na medida em que o ganho econômico, ou a riqueza gerada, seja compatível com os custos de recuperação da perda de sustentabilidade.
Traduzindo, em um exemplo rápido, seria mais ou menos o que o povo do Acre aceitou pelo voto, quando trocou o Projeto Florestania pelo Projeto Agronegócio, ainda no decorrer da segunda década desse século, como modelo econômico ideal para o Acre melhorar o IDH e ampliar seu Produto Interno Bruto.
Naquele momento, a despeito de nunca ter sido de fato indagado, a resposta dos acreanos foi concordar em enfrentar os efeitos nefastos das taxas anuais de desmatamento e das queimadas, em razão dos benefícios econômicos trazidos pela pecuária extensiva.
Por óbvio, em nenhum momento os projetos para o futuro do Acre foram julgados ou discutidos com a devida responsabilidade e clareza, quer seja por algum partido político, candidato a governador ou ao parlamento, ou liderança política com ou sem mandato, nunca em qualquer momento.
Entretanto, independente de haver ou não alguma discussão, a pecuária extensiva predomina em toda extensão rural do território acreano, da beira dos rios à margem das rodovias, com uma tendência de crescimento que impressiona, em especial após o boom da pecuária extensiva ocorrido em 2007.
Ou, melhor ainda, jamais se discutiu que a perda de sustentabilidade ecológica no desenvolvimento estadual, decorrente de cada hectare de floresta destruída, poderia ser compensada usando o dinheiro da arrecadação de impostos trazida pelo gado na restauração florestal da mata ciliar do Rio Acre, por exemplo.
Contudo, em uma conclusão simplista, mas não simplória, pode-se arguir que desde que uma perda em sustentabilidade ecológica equivalente a 500 hectares de floresta por ano, poderia, em contrapartida, ser compensada com a destinação compulsória e também anual de 20 milhões de reais em restauração florestal.
Resumindo, a perda em sustentabilidade ecológica devido ao desmatamento deveria ser equilibrada em igual medida com o investimento em restauração florestal e o consequente ganho de sustentabilidade ecológica.
Porém e infelizmente, além de não ser clara, explicita e quantificada a perda em sustentabilidade, não há garantia alguma de que o lucro da pecuária extensiva poderá, um dia, ser revertido para a sociedade na restauração de mata ciliar.
Ou seja, todo esse raciocínio, ainda se resume atualmente a um devaneio solitário do autor, todavia nem sempre foi assim.
Em poucos momentos durante a história do Acre, existiu oportunidade para discutir os benefícios do crescimento econômico proporcionado pelo agronegócio da pecuária extensiva em relação aos custos devidos à perda de sustentabilidade ambiental pelo indispensável desmatamento.
Um desses momentos aconteceu nos idos da década de 1980 do século passado, quando as primeiras Reservas Extrativistas do país foram inventadas e criadas no Acre.
Naquela época, ficou claro aos envolvidos com o experimento das Reservas Extrativistas, que o modelo de desenvolvimento baseado na biodiversidade florestal embora encantasse o mundo requeria investimento elevado e permanente quase impossível de acontecer.
Agora, na COP30 que vai acontecer em Belém do Pará em novembro, haverá outro desses momentos, para os acreanos resgatarem os ideais da década de 1980.