Igarapé São João, afluente do Rio Jordão.
Foto: Jairo Lima, 2015.
Não será com a expansão da pecuária extensiva em terras com florestas que hoje são protegidas pelo Código Florestal.
Não será com aumento persistente do desmatamento legal ou ilegal que assombra o mundo e afasta investimento privado.
Não será com a pior produtividade da terra no país.
Esse ciclo econômico precisa ser superado.
Depois de insistir desde 1970 passou do momento de revisar esses pressupostos.
A saída é pela bioeconomia.
É pelo mercado de carbono.
É pela FLORESTA.
Nos últimos 20 anos, sob o apoio integral da cooperação internacional, o Acre foi privilegiado com a execução de uma série de levantamentos sobre a diversidade biológica e os recursos do meio físico presentes em território estadual.
Todavia, embora tenha sido investida uma soma considerável de recursos financeiros na realização desses estudos, que culminaram na elaboração do Zoneamento Ecológico Econômico, um tipo especial de florestas foi esquecido, inclusive no âmbito do próprio ZEE: a mata ciliar.
A lacuna de informações sobre a mata ciliar tem implicações perigosas no que diz respeito aos rumos a serem seguidos pela ação pública, uma vez que, sobretudo nos últimos 10 anos, a flutuação de vazão do rio Acre, entre os regimes de seca e cheia, se intensificou.
Com a ocorrência anual de secas e alagações extremas, o rio Acre, por um lado, deixou de fornecer água; por outro, tornou-se inseguro para os ribeirinhos que habitam suas margens.
Sob as premissas “Resistência pública” e “Resiliência do rio”, a ideia é contribuir para o planejamento da ocupação em áreas alagadas e fornecer subsídios para ampliar a resiliência do rio Acre em face dos períodos de alagação e de seca.
No primeiro caso, da resistência pública, o projeto propõe a transformação de superfícies alagadiças ocupadas por assentamentos precários em áreas verdes, que poderão funcionar como zonas de escape do rio no período das cheias.
No segundo caso, da resiliência do rio, propõe-se a restauração florestal da mata ciliar, inclusive com o aumento da largura da faixa prevista no Código Florestal, como forma de aumentar a resiliência do rio, ou seja, sua capacidade de reagir às flutuações extremas de vazão.
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Se fosse para ser de verdade, pouco se fez para alterar a realidade e os defensores do Projeto Florestania não entenderam que, antes deles, um conjunto expressivo de pesquisadores, técnicos e engenheiros haviam exposto os riscos e limites do modelo de desenvolvimento baseado na pecuária extensiva.
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