A partir de 14 a 18 de março de 2011 os envolvidos com o setor florestal acreano estarão reunidos para discutir as potencialidades de uma economia na qual a maior parcela da renda esteja vinculada à produção de bens oriundos do ecossistema florestal.

Trata-se da Quinta Semana Florestal do Acre, um evento que ocorre anualmente, sempre no início da safra florestal, quando o inverno deveria estar se encerrando e o verão deveria estar se preparando para chegar.

Na sua primeira edição, em 2007, o evento discutiu o tema da Biodiversidade: Ver a floresta que existe alem das árvores; no ano seguinte, foi a vez de se debruçar sobre o tema dos gargalos tecnológicos existentes na produção florestal; em seguida, na terceira edição em 2009, se discutiu o Manejo Florestal de Uso Múltiplo; e, na quarta edição, o tema das Reservas Extrativistas que completava 20 anos de existência. Nada mais oportuno que chegar na quinta edição com o tema do Manejo Florestal Empresarial.

Acontece que o setor madeireiro acreano passa por uma transformação profunda no que se refere à quantidade de madeira produzida, na qualidade da matéria-prima que sai da floresta e, não menos importante, no tipo de empresas e sua forma de organização.

Parece que a histórica barreira dos 200 mil metros cúbicos anuais de madeiras serradas foi ultrapassada em 2008 e as expectativas para 2011 são de se chegar à casa dos milhões de metros cúbicos.

Uma transformação igualmente significativa na qualidade do produto primário retirado do interior da floresta. A qualidade da árvore a ser derrubada, o que está diretamente vinculada à tecnologia de manejo florestal empregada.

Ocorre que a árvore explorada no ecossistema florestal, que antes era somente uma matéria-prima chamada de tora e transportada por toreiros, muitas vezes oriundas de derrubadas, esta dando lugar a um novo produto florestal a Madeira Manejada. Da mesma forma que o ciclo produtivo baseado no Toreiro e na Serraria de Ramal esta dando lugar ao da Indústria Florestal.

Legalidade ou ilegalidade da produção de madeira, já não é tema que ocupa o tempo dos envolvidos no setor florestal acreano. Como a ilegalidade foi praticamente superada, muito embora ainda haja alguns poucos sobreviventes, a promissora discussão agora é se o caminhão Romeu e Julieta, treminhão como os técnicos chamam, está transportando um produto valioso: a Madeira Manejada, ou se é somente uma tora.

Madeira Manejada pode ainda se transformar em um outro, ainda mais valioso, produto: Madeira Certificada, ao receber o selo verde do FSC. Produtos que surgem dependendo da aplicação da tecnologia de manejo florestal que esta sendo empregada na exploração da árvore. Produtos que surgem sem que a tora deixe de ser tora.

Uma transformação que vai além.

Que exige, para receber todas as instituições, empresas e outros atores envolvidos, uma nova forma de organização. As indústrias e os setores de apoio ao setor florestal madeireiro acreano precisam se estruturar de novas maneiras. O modelo baseado no Distrito Industrial, com franquias fiscais localizadas e limitadas está, como vem demonstrando alguns estudos, igualmente superado.

Por outro lado, novidades como a organização do setor florestal em Arranjos Produtivos Locais ou em um Cluster Florestal precisa ser melhor avaliada.

E o momento é mais que oportuno.

Todos estão convidados a iniciar as comemorações do Ano Internacional das Florestas na QUINTA SEMANA FLORESTAL DO ACRE.

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