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MÉTODO CIENTÍFICO PARA OPERACIONALIZAR A TECNOLOGIA DO MANEJO FLORESTAL DE USO MÚLTIPLO
TESE DE DOUTORADO, DEFENDIDA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANA, PROPÕE MÉTODO CIENTÍFICO PARA OPERACIONALIZAR A TECNOLOGIA DO MANEJO FLORESTAL DE USO MÚLTIPLO.

Um dos principais entraves ao estabelecimento do Manejo Florestal de Uso Múltiplo acaba de ser superado. Agora será possível reunir as informações sobre todas espécies, da fauna e flora, existente nas áreas florestais a serem manejadas, organiza-las segundo algumas estratégias de manejo florestal e operacionalizar sua exploração e beneficiamento ao longo de um ciclo de produção com várias e diversificadas safras de produtos da floresta. E o Método para isso foi defendido como Tese de Doutorado de Francisco José de Barros Cavalcanti junto à Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná.
Da orquídea à madeira, passando pela borracha, pelas plantas medicinais e pela paca a floresta poderá ser manejada para oferecer muitos produtos sob a tecnoclogia do manejo florestal de uso múltiplo.
O objetivo da Tese, intitulada METODOLOGIA E SISTEMA COMPUTACIONAL PARA USO MÚLTIPLO E INTEGRADO DE FLORESTAS DA AMAZÔNIA, defendida por Cavalcanti e aprovada pela Banca Examinadora da Universidade Federal do Paraná, foi propor um método científico para elaboração de planos de manejo de uso múltiplo de florestas tropicais heterogêneas. Nesse sentido foi elaborado um sistema composto por sete seções ou etapas de processamento.
A primeira seção do método é um Banco de Dados geral que possui duas funções básicas: armazenar as informações de todas as espécies conhecidas e de seus produtos, tais como suas características ecológicas, tecnológicas e econômicas e demonstrar o nível de conhecimento das espécies, dos produtos e das variáveis das espécies.
A segunda seção do método, denominada de “Informações da Floresta” possui três funções principais: a primeira é a de integrar as informações dos levantamentos de campo da floresta alvo do manejo, isto é, do inventário por amostragem, do censo florestal e de outras fontes; a segunda função é buscar no Banco de Dados as informações existentes sobre as características das espécies, bem como dos seus produtos; a terceira função trata dos processamentos e formatação das informações para transferência ao programa de geoprocessamento e conseqüente confecção dos mapas necessários ao manejo florestal.
A terceira seção do método trata da análise da viabilidade econômica dos diferentes produtos identificados na floresta, tanto do setor primário, isto é, do extrativismo, quanto do setor secundário, isto é, das usinas de beneficiamento.
A quarta seção do método distribui as espécies fontes dos produtos em três classes de manejo distintas. À Classe 1 são destinadas as espécies cujas regras de manejo já são estabelecidas técnica e legalmente. À Classe 2 são destinadas as espécies que necessitam do estabelecimento de procedimentos básicos ou mínimos de exploração e monitoramento, uma vez que não estão definidos na literatura. À Classe 3 são destinados os resíduos ou produtos da floresta cuja política de manejo restringe-se ao registro e estatística da sua exploração.
A quinta seção do método diz respeito a ferramentas auxiliares para o planejamento das atividades, através da quantificação de materiais, equipamentos e outros itens necessários às diferentes atividades.
A sexta seção contém ferramentas de monitoramento da produção e da produtividade das equipes e das atividades.
A sétima e última seção contém ferramentas de monitoramento dos gastos e das receitas por atividade. Para o Banco de Dados foram definidas 40 variáveis sobre as espécies, das quais 30 foram utilizadas para caracterização do nível de conhecimento de cada uma. As questões contemplaram informações desde o nome científico e família botânica até o número de sementes por kg e por safra, passando por informações sobre a síndrome de dispersão e estratégia de estabelecimento.
Os produtos das 906 espécies catalogadas foram obtidos em fontes diversas, desde publicações técnicas e científicas, como os da madeira, até pesquisa de campo, como os medicinais vendidos em feiras e outros mercados populares. Eles foram organizados em 156 aplicações, as quais foram distribuídas em 30 grupos de uso. O Perfil Econômico-Ecológico de um compartimento da floresta com 1000 hectares situada em Sena Madureira, Acre, foi obtido pela integração das informações das espécies existentes na área com o Banco de Dados.
As informações da floresta foram obtidas por meio do censo florestal, que registrou indivíduos com DAP ≥ 40 cm, do inventário por amostragem, que contemplou indivíduos a partir do DAP ≥ 5 cm e de outras fontes de informação sobre espécies não registradas nos dois inventários. A reunião das informações dos levantamentos florestais resultou numa lista de 315 espécies e grupos de espécies.
Para a decisão da exploração ou não das espécies e produtos registrados foram desenvolvidas rotinas que permitem aplicar os principais métodos de análise de investimento: Valor Presente Líquido; Valor Presente Líquido Anualizado; Índice Benefício Custo; Retorno Adicional Sobre o Investimento; Taxa Interna de Retorno e Período de Recuperação do Investimento.
A madeira em tora para serraria e laminadora e a exploração de galhos de árvores para energia foram inseridas na Classe 1. Plantas ornamentais, Copaíba para óleo, Seringueira, Castanheira e outras foram inseridas na Classe 2. Na Classe 3 de manejo foram inseridos o paú (fuste em decomposição), árvores e palmeiras ocas mortas e caídas, dentre outros. Os procedimentos e rotinas desenvolvidos foram reunidos num programa (software).
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