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O Carnaval nos tempos do politicamente correto

Ecio Rodrigues & Aurisa Paiva, 10/03/2019

Seguindo a tendência observada no Oscar, o Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro 2019 deverá ser lembrado, em especial, pela retórica do politicamente correto.

Das 14 agremiações que passaram pela Marquês de Sapucaí, pelo menos 7 delas, de maneira direta ou indireta, adotaram o tom politicamente correto em seus enredos, e – o mais importante – foram reconhecidas e premiadas por isso.

Por sua vez, a Império Serrano, que homenageou o cantor Gonzaguinha, e a Imperatriz Leopoldinense, que narrou a saga do dinheiro, foram rebaixadas para o chamado Grupo de Acesso.

É certo que nenhuma das duas se destacou ou levantou as arquibancadas; sem embargo, se tivessem emprestado aos seus respectivos temas um matiz mais ideológico, possivelmente teriam escapado do rebaixamento.

De modo inverso, aquelas que optaram por defender as minorias e os oprimidos, denunciar injustiças, celebrar a diversidade – enfim, exteriorizar posições políticas tidas como progressistas – não precisaram se mostrar memoráveis para alcançar uma pontuação acima da média.

Caso emblemático talvez seja o da São Clemente, que, em um desfile mediano, ensaiou uma crítica com relação à elitização do Carnaval no Rio de Janeiro, insinuando que a construção do sambódromo – medida de extrema importância para organizar e estruturar o evento, conferindo segurança, transparência e licitude à realização do espetáculo carnavalesco – teria afastado o povo da festa.

Algo discutível, para dizer o mínimo, mas que saiu tão bem na foto que possibilitou que a escola se mantivesse no Grupo Especial, mesmo que na 12ª colocação.

Outra que não pode reclamar da premiação, a Unidos da Tijuca apresentou a história do trigo e do pão para discutir a desigualdade social e defender o direito dos mais pobres por comida – um tema tão apelativo quanto conveniente a estes tempos, e que lhe assegurou um superestimado sétimo lugar.

Quiçá esteja numa inevitável parcialidade o traço mais inquietante dos excessos cometidos em nome do politicamente correto. Ocorre que esse critério, ainda que de forma subjacente, induz o julgamento e acaba jogando para o segundo plano a análise concernente aos aspectos artísticos, criativos, estilísticos etc.

A Beija-Flor, por exemplo, realizou um excelente desfile, ao enfocar sua própria trajetória. Resgatando seus carnavais mais marcantes, a escola homenageou enredos passados, como o inesquecível “Ratos e Urubus, larguem a minha fantasia”, de 1989, e revisitou alas que fizeram sucesso ao longo dos anos

Conquanto tenha sido, provavelmente, um dos enredos mais originais do Carnaval de 2019, foi tratado com indiferença – tanto que a agremiação de Nilópolis, que ficou em 1º lugar em 2018, terminou na 11ª colocação, uma das piores de sua história.

De outra banda, a Mangueira não teve nenhum pudor ao levar à avenida uma extravagante dose de populismo e – por que não dizer – também de certo oportunismo.

Rezando na exaltada cartilha da denúncia social, a Estação Primeira decantou heróis escravos, expôs massacres indígenas, homenageou mulheres vitimizadas e customizou a bandeira brasileira, que foi brandida em verde e rosa e ostentando, no lugar do lema positivista “Ordem e Progresso”, um bordão, digamos, mais engajado – “Índios, Negros e Pobres”.

Resultado: obteve nota 10 em todos os quesitos e se sagrou campeã.

 

STF decide: Procurador do Município exerce função essencial à Justiça

17/03/2019

Em decisão histórica, o STF consagrou a tese de que a função de procurador municipal, quando instituída por lei e organizada em carreira, é essencial à Justiça. Significa dizer que os procuradores – a despeito do governo que temporariamente ocupe o poder em âmbito municipal – possuem independência funcional, posto que sua atuação é indispensável à realização da Justiça e, por conseguinte, ao funcionamento do sistema institucional que dá suporte à subsistência do Estado Democrático de Direito. Trata-se de um passo significativo para a consolidação da autonomia municipal estabelecida pela Constituição de 1988 e, em última análise, para o fortalecimento da democracia brasileira.

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O Oscar nos tempos do politicamente correto

03/03/2019

Ainda que os vencedores do Oscar 2019 tenham sido aplaudidos pelos críticos, parece que o tom politicamente correto dominou as premiações, favorecendo longas como “Pantera Negra” – a primeira adaptação de quadrinhos da Marvel a ser indicada a melhor filme –, enquanto outros não tiveram o crédito que mereciam. Chama a atenção, particularmente, a injustiça cometida com a “A Favorita”. Embora se trate de uma obra magistral, que recebeu 10 indicações, inclusive a melhor filme, levou apenas o prêmio de melhor atriz para Olivia Colman, por sua brilhante atuação como uma rainha inglesa do século XVIII. Ninguém falou isso, mas o filme merecia mais.

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Zoneamento não baniu desmatamento e queimadas no Acre

24/02/2019

O mais importante retorno para o dinheiro investido pela sociedade na caríssima realização do ZEE no Acre teria sido, num primeiro momento, a redução drástica das taxas de desmatamento, e num segundo, o fim do desmatamento legalizado. Todavia, a expectativa não foi atendida, e o desmatamento se mantém em patamares inaceitáveis. O pior, gestores públicos discutem a revisão da Lei do Zoneamento, para permitir desmatar mais. Resta saber até onde vai a condescendência dos acreanos e do mundo com a destruição florestal no Acre.

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Países são ricos ou pobres, de acordo com suas próprias decisões

17/02/2019

Países, estados, municípios ou regiões são ricos ou pobres, dependendo das decisões de sua população. Ao optarem por assentar sua economia no agronegócio e na produção estatal de petróleo, os brasileiros se tornaram a 9ª economia do planeta. Quando a população da Amazônia prefere a criação de boi ao uso econômico da biodiversidade florestal (o que seria sua vocação natural), está decidindo conviver com taxas anuais e permanentes de desmatamento. Não existe uma conspiração para manter nações, regiões ou estados – como o Acre, por exemplo – na linha da pobreza. O que existe são decisões assumidas, de forma explícita ou não, pela sociedade, que, em função dessas decisões, vai viver sob determinado IDH. Simples assim.

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Extrativistas florestais da Amazônia e o espaço político perdido

10/02/2019

Durante o final da década de 1980 e toda a década de 1990, os extrativistas florestais da Amazônia gozaram de grande reconhecimento, em face de seu papel crucial para a conservação da floresta. Representados pelo sindicalista Chico Mendes, alcançaram expressivo espaço político na região. Nos anos 2000, todavia, depois de ser incorporado ao conceito genérico de agricultura familiar, o extrativismo viu sua importância se diluir. Um erro que os amazônidas vão custar a superar. É preciso resgatar a importância do produtor florestal, na condição de ator social decisivo para a conquista da sustentabilidade na Amazônia. A hora é essa.

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Lama que não é tóxica e imprensa que intoxica

03/02/2019

Em 2015, os jornalistas se divertiram acompanhando a lama que se movimentava rumo ao litoral capixaba, e noticiando o rastro de destruição causado por seu “alto grau de toxidade”. E ainda que a lama fosse apenas lama, sem resíduos minerais tóxicos, nenhum órgão público de controle ambiental se deu ao trabalho de contestar a imprensa – que, com esse tipo de atitude, apenas desinforma, não contribuindo para discutir e solucionar o problema. Agora, em Brumadinho, a demonização da Vale e a histeria são a regra. Enquanto os gestores públicos não enfrentarem os jornalistas com altivez e determinação, a informação precária e, por óbvio, o problema persistirão.

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Enfim, Serviço Florestal sai do Ministério do Meio Ambiente

27/01/2019

Entre o repertório de distrações, trapalhadas e recuos que marcaram o início do novo governo federal, a transferência do Serviço Florestal Brasileiro (órgão originalmente vinculado ao Ministério do Meio Ambiente) para o Ministério da Agricultura se destaca como medida oportuna e acertada, tendo sido recebida com festa pelo setor produtivo. De agora em diante, a exploração de madeira e de outros produtos florestais certamente receberá o enfoque adequado, na condição de importante atividade produtiva que deve ser fomentada – diferente da visão preservacionista predominante na pasta do Meio Ambiente, impregnada de preconceito contra o aproveitamento econômico dos recursos florestais.

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Participação popular não garantiu o zoneamento na Amazônia

20/01/2019

Muito embora uma vultosa soma de recursos públicos tenha sido investida na realização de Zoneamento Ecológico-Econômico na Amazônia, o retorno obtido foi pífio. Pensado para planejar a ocupação do meio rural, o zoneamento tinha como pressuposto zerar a taxa de desmatamento legalizado. Isso está longe de acontecer, todavia. A discrepância entre as deliberações técnicas e as decisões políticas foi uma das causas desse fracasso, e a participação popular não ajudou a resolver o problema.

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Mostrando passarinho em gaiola, diretor de “Roma” vence Globo de Ouro

13/01/2019

Enquanto o filme “Bird Box” mostra passarinhos como indicadores biológicos de um ecossistema desequilibrado, a ponto de levar as pessoas ao suicídio, o longa mexicano “Roma” abusa das cenas com passarinhos em gaiolas. Se o primeiro, politicamente correto, mostra os pássaros contribuindo para salvar a humanidade, o segundo, politicamente incorreto, usa as gaiolas como um clichê, na tentativa de forçar a identificação do espectador com a história.

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Caso do Ibama comprova que juntar órgãos públicos nem sempre funciona

06/01/2019

Desconcentração e descentralização são conceitos que poucos dominam, contudo, são cruciais para a gestão estatal das políticas públicas. Nem sempre a existência de 30 ou 20 ministérios representa aumento ou redução de custos. Nada é tão simples para ser solucionado sob um raciocínio tão singelo. O que importa é a relação custo/benefício do retorno dado à sociedade pelo imposto pago. Isso, sim, é simples de entender, mas exige uma equipe técnica de excelência para executar. Governos de sucesso são os que conseguem. Os outros saem pelos fundos.

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